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Emissão de cinzas do vulcão de La Palma bate recorde

Depois do terremoto de magnitude 5 no sábado, a atividade sísmica caiu. Especialistas advertem que isso não significa que os tremores terminaram

Cumbre Vieja La Palma
Casa coberta de cinzas neste sábado em La Palma.Emilio Morenatti (AP)
Emilio Sánchez Hidalgo

Os carros estacionados em Los Llanos de Aridane, nas Ilhas Canárias, amanhecem todos os dias com uma camada de cinza. Neste domingo, esse manto acinzentado tinha cerca do dobro de espessura do que nos dias anteriores. O vulcão de La Palma está expelindo muito mais material volátil nas últimas horas, como explicaram os especialistas do Plano de Emergências Vulcânicas das Canárias (Pevolca) em uma entrevista coletiva. “A quantidade de cinza que foi lançada no oeste da ilha nunca havia sido verificada desde o início da erupção”, disse a porta-voz do Comitê Científico do Pevolca, María José Blanco.

O dado que melhor ilustra essa situação é o de partículas menores que 10 micra. O valor a partir do qual é excessivo é de 50 µg/m³ (microgramas por metro cúbico); à meia-noite a estação de medição de Los Llanos registrou 499. “Este episódio pode ter sido causado por uma intensa desgaseificação”, explica o relatório do Pevolca, que também detalha um aumento na emissão e na fluidez da lava.

Esta nuvem de cinza afeta principalmente toda a parte oeste e noroeste da ilha, mas especialmente Los Llanos de Aridane e El Paso, cidades fora da zona de exclusão de onde melhor se vê o vulcão. O diretor técnico do Pevolca, Miguel Ángel Morcuende, recomendou o uso de máscaras FPP2 e óculos de proteção aos moradores destes dois municípios e também aos de Tazacorte, Puntagorda e Tijarafe. Além disso, a prática esportiva não é recomendada.

O aumento da emissão de cinzas pode afetar a navegação aérea, mas Morcuende avisou que as probabilidades de isso acontecer são, por enquanto, “pequenas”. Por outro lado, a emissão de dióxido de enxofre caiu neste sábado pelo sexto dia consecutivo. Sua concentração no ar não ultrapassou o limite diário em nenhum momento. A coluna eruptiva e a nuvem de dispersão emitida pelo vulcão atingiram uma altura de 4.500 metros, acima do registro dos últimos dias.

Folhas de uma árvore coberta de cinzas em La Palma, neste domingo em Puntagorda.
Folhas de uma árvore coberta de cinzas em La Palma, neste domingo em Puntagorda. Miguel Calero (EFE)

E conforme o vulcão emite mais cinza, cospe mais lava. “Um aumento da emissão de lava foi observado no flanco oeste do cone principal”, explicou Blanco. A lava também é mais fluida. Essa circunstância pouco fez crescer a superfície afetada pelo magma, segundo explicou Morcuende. O que a lava está fazendo é aumentar a altura das áreas por onde já passou. “Existem áreas por onde passou a primeira corrente que já têm 30 metros de altura”. A única língua que avança lentamente é aquela situada mais ao sul, perto da região de Las Hoyas. Esta língua avança muito mais lentamente do que na sexta-feira, quando arrasou 1.500 metros em 24 horas, destruindo casas, fazendas e plantações. Embora esteja a pouca distância do mar (cerca de 300 metros), os especialistas do Pevolca não acreditam que vá desembocar no oceano, pois encontrou uma superfície plana ao longo da qual está se expandindo.

O relatório do Pevolca acrescenta que “a morfologia do cone muda repetidamente devido aos sucessivos processos de crescimento e reconfiguração”. “Não está descartado o surgimento de novos centros de emissão ao redor do cone principal, bem como de outros observáveis superficiais (emissões visíveis de gás) dentro da zona de exclusão”, acrescenta.

Queda da atividade sísmica

Depois do terremoto de maior magnitude desde o início da erupção (5), que ocorreu no sábado, a atividade sísmica na ilha caiu consideravelmente. O terremoto mais forte das últimas horas foi de 3,5, e não foi percebido pela população (o que normalmente acontece por volta da magnitude 4). No entanto, “o nível atual de sismicidade continua indicando que é possível que mais terremotos perceptíveis aconteçam e causem pequenos deslizamentos de terra em áreas inclinadas”, acrescenta o Pevolca.

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