Uma vítima de Epstein processa o príncipe Andrew por agressão sexual

Virginia Giuffre já havia declarado publicamente que sofreu abusos do filho da rainha Elizabeth II quando estava com 17 anos, o que ele nega. O duque de York era amigo do milionário

O príncipe Andrew e Virginia Giuffre (no centro), em 2001. Ao fundo, Ghislaine Maxwell, a ‘madame’ de Epstein.
O príncipe Andrew e Virginia Giuffre (no centro), em 2001. Ao fundo, Ghislaine Maxwell, a ‘madame’ de Epstein.Shutterstock
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Virginia Giuffre, suposta vítima do pedófilo milionário Jeffrey Epstein, entrou com uma ação em um tribunal federal de Nova York nesta segunda-feira contra o príncipe britânico Andrew, por agressão sexual. A mulher de 38 anos disse que o processo em que acusa o duque de York de traficar e abusar dela quando era menor de idade foi apresentado com base na Lei de Vítimas Infantis. A norte-americana vem falando há anos dos supostos estupros, mas o terceiro filho da rainha Elizabeth II afirma não se lembrar de tê-la conhecido e de ter tido algum tipo de relação íntima com ela.

“O que eu faço é exigir que o príncipe Andrew responda pelo que fez comigo”, disse a demandante em um comunicado. “Os poderosos e ricos não estão isentos de serem responsabilizados por suas ações. Espero que outras vítimas vejam que é possível não viver em silêncio e medo, mas recuperar a vida ao falar e exigir justiça”, acrescentou. “Vinte anos atrás, a riqueza, o poder, a posição e as conexões do príncipe Andrew permitiram que ele abusasse de uma garota assustada e vulnerável que não era protegida por ninguém. É hora de prestar contas.”

A ação pede uma indenização por perdas e danos, cujo valor não é especificado. Giuffre, que atualmente mora na Austrália, acusa Andrew de agressão sexual e de intencionalmente causar-lhe sofrimento emocional.

Ela foi uma das quase 30 mulheres que contaram a um juiz como sofreram abusos de Epstein, formalmente acusado em 2019 de tráfico sexual infantil e conspiração. Um mês depois, ele foi encontrado morto em sua cela. O milionário liderou por mais de uma década um esquema de pedofilia pelo qual recrutava dezenas de meninas para exploração sexual. Era amigo do duque de York, o membro mais problemático da família real britânica.

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De acordo com a ação movida pelos advogados de Giuffre no tribunal federal de Manhattan, o príncipe Andrew abusou dela sexualmente várias vezes quando tinha menos de 18 anos. A acusação sustenta que um dos abusos ocorreu na casa de Londres de Ghislaine Maxwell, considerada a madame de Epstein. Acusada de comandar a rede de menores e de recrutar as jovens, Maxwell será julgada em novembro. Em outra ocasião, sempre de acordo com os autos do tribunal, o filho de Elizabeth II abusou dela na mansão de Epstein em Nova York.

O príncipe Andrew teve que abandonar suas fundações e atividades no âmbito dos Windsor quando o caso Epstein estourou. Em entrevista à BBC no final de 2019 em que tentou limpar seu nome, o duque de York afirmou que estava disposto a colaborar na investigação contra seu amigo “se essa for a orientação de meus assessores jurídicos”. Ele ainda não respondeu às perguntas da Procuradoria-Geral de Nova York.

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