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Uma das vítimas de Epstein relembra as acusações contra o filho da rainha Elizabeth II

“Ele sabe o que fez e espero que esclareça”, disse Virginia Giuffre depois da audiência extraordinária de 16 mulheres pelos supostos abusos do bilionário

Virginia Giuffre
Na foto, Virginia R. Giuffre antes da audiência extraordinária em um tribunal de Nova York na terça-feira, 27 de agosto. AP

O príncipe Andrew “sabe o que fez e espero que esclareça”. Foi o que disse na terça-feira Virginia Giuffre, uma das mulheres que pedem justiça no processo contra Jeffrey Epstein por supostos abusos e exploração sexual. Giuffre fez essas declarações à imprensa depois de comparecer a uma audiência extraordinária diante do juiz Richard Berman, em Nova York, para que as vítimas pudessem contar sua história antes que o caso contra o bilionário seja extinto depois dele ter cometido suicídio em Nova York em sua cela no dia 10 de agosto.

Não é a primeira vez que Giuffre acusa o filho de Elisabeth II, que negou os fatos em várias ocasiões, nem que este aparece nos meios de comunicação. A última vez foi em meados de agosto, quando uma série de documentos foi revelada, trazendo detalhes das práticas de Epstein nas quais envolve Andrew. O duque de York foi apontado como responsável por tocar o seio de uma menor e cometer outros atos contra ao menos duas vítimas — Joanna Sjoberg e Virginia Giuffre — na mansão de Jeffrey Epstein em Manhattan, de acordo com documentos apresentados pelos advogados desta última em 2017.

Jennifer Araoz depois da audiência extraordinária em Nova York, em 27 de agosto.
Jennifer Araoz depois da audiência extraordinária em Nova York, em 27 de agosto. AFP

Ela foi uma das mais de vinte mulheres que prestaram depoimento no tribunal de Manhattan nesta terça-feira. O juiz Berman explicou que a convocação foi feita por respeito às vítimas e elogiou sua “coragem”. As mulheres contaram como Epstein “roubou” seus sonhos e sua inocência. “Hoje estamos juntas. Não continuarei sendo uma vítima, não ficarei em silêncio nem mais um dia”, disse a atriz Anouska De Georgiou. Abraçando-se, confortando-se e chorando, as mulheres ouviram os depoimentos das demais, todos parecidos: mulheres jovens e vulneráveis recrutadas, preparadas e forçadas a prestar serviços sexuais ao bilionário, que podia pegar 45 anos de prisão.

Uma delas, Chauntae Davies, descreveu como passou duas semanas “vomitando quase até a morte” em um hospital depois de ter sido estuprada por Epstein e depois de ter sido recrutada por ele para fazer massagens. Com “cada humilhação pública que suportei, sofri e ele ganhou”, disse. Outra vítima, que pediu para permanecer no anonimato, disse que ficará “perturbada para sempre” depois do estupro. “Eu era escrava dele. Me sentia indefesa e envergonhada”, disse, e afirmou que Epstein ameaçou matá-la se descobrisse que não era virgem.

A maioria das mulheres que contaram sua história manifestou indignação com o suicídio do empresário. “Sinto-me muito indignada e triste porque a justiça nunca foi feita neste caso”, disse Courtney Wild, que o descreveu como um “covarde”. Jennifer Araoz disse que não ter a possibilidade de enfrentá-lo em um julgamento “consumia sua alma”. E para Giuffre, sua morte não vai parar a reflexão sobre o que aconteceu.

Algumas delas não apenas se lembram de Epstein, mas também daqueles que definem como “cúmplices”, como sua ex-amante, a inglesa Ghislaine Maxwell, filha do falecido magnata dos meios de comunicação Robert Maxwell. E pediram ao Ministério Público que capturasse e acusasse aqueles que participaram do crime. Maxwell, que está em paradeiro desconhecido, negou as acusações. “Por favor, por favor, terminem o que começaram. As vítimas norte-americanas estão preparadas para dizer a verdade. Ele não agiu sozinho”, disse Sarah Ransome ao juiz, acrescentando que Epstein dirigia “uma rede internacional de tráfico sexual”.

A procuradora norte-americana Maurene Comey garantiu às mulheres que o Governo continuará investigando. Assim como o FBI, que abriu uma investigação sobre o suicídio do empresário.

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