Pandemia de coronavírus

México admite que a cifra de mortos por covid-19 é pelo menos 60% maior

Secretaria de Saúde publica em seu site um cálculo de cifras vinculadas à covid-19 que eleva número de óbitos a 322.000, ultrapassando o Brasil

O subsecretário mexicano de prevenção e promoção da Saúde, Hugo López-Gatell, em 23 de março.
O subsecretário mexicano de prevenção e promoção da Saúde, Hugo López-Gatell, em 23 de março.Presidency of Mexico HANDOUT / EFE
Jacobo García|Agências
Cidade do México - 29 mar 2021 - 14:48 UTC

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O Governo do México admitiu no sábado em seu site oficial que a cifra real de mortos pela pandemia do coronavírus supera 322.000 pessoas, 60% a mais que o número até agora oficial, de 201.429 óbitos, que leva em conta apenas os pacientes com diagnóstico comprovado. Os dados atualizados sobre o excesso de mortalidade, divulgados pela Secretaria (ministério) de Saúde do país, mostram uma defasagem de 294.287 mortes “associadas ao coronavírus”, ou 61,4% mais que as mortes comunicadas oficialmente até o momento, segundo a agência Reuters.

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Há muito tempo as autoridades mexicanas já cogitavam que o número real de mortes pelo coronavírus fosse superior ao notificado, e a atualização do sábado põe o México como o segundo país com mais mortes em todo o mundo, atrás apenas dos Estados Unidos e à frente do Brasil. O relatório Excesso de Mortalidade no México, divulgado no fim de semana, informa que até 13 de fevereiro o país tinha registrado 294.287 mortes associadas à covid-19 desde fevereiro de 2020, quando a doença chegou ao país.

A cifra supera em 120.576 mortos os 173.711 óbitos que foram oficialmente notificados até 13 de fevereiro pela Secretaria de Saúde em seu relatório técnico. Desde então foram contabilizados outras 27.538 mortes, o que elevaria o total de falecimentos a pelo menos 322.365.

O excesso de mortalidade é determinado ao comparar as mortes de um ano específico com as que seriam esperáveis com base nos dados de anos anteriores. Uma análise dos atestados de óbito determinou que em torno de 70,5% do excesso de mortalidade estava relacionado com a covid-19, frequentemente porque essa doença era mencionada nos atestados como um fator ou possível causa da morte. Mas alguns especialistas alertam que a covid-19 poderia ter causado muitas outras mortes, porque muita gente não conseguiu receber tratamento para outras doenças devido à superlotação dos hospitais.

Outra das razões para a defasagem de cifras é que o México faz poucos exames de diagnóstico e, como os hospitais estavam lotados, muitos mexicanos morreram em casa, sem fazer testes. A única forma de ter uma imagem clara é revisar o excesso de mortes e os atestados de óbito.

A nova cifra estaria à altura do Brasil, que, com 310.000 mortos, é oficialmente o segundo país com mais óbitos por covid-19 no mundo, atrás dos Estados Unidos, de acordo com a Universidade Johns Hopkins. Entretanto, a população do México, de 126 milhões de pessoas, é muito menor que a dos Estados Unidos (mais de 320 milhões de habitantes) e do Brasil (quase 210 milhões).

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O novo relatório também confirma a gravidade da segunda onda de contágios que golpeou o México depois do Natal. No fim de dezembro, as estimativas de excesso de mortalidade eram de 220.000 mortes relacionadas com a covid-19 no México. A cifra cresceu em 75.000 pessoas em apenas seis semanas. Em termos populacionais, na data de corte de 13 de fevereiro o México tinha a maior mortalidade em excesso do planeta. Segundo o engenheiro Alejandro Calvo, que mantém uma contagem detalhada do impacto e da evolução do vírus no México, “combinando informação oficial disponível até o momento, é possível identificar 449.827 falecimentos, 312.241 dos quais estão diretamente associados à covid, 46.193 poderiam ser falsos negativos, e 91.393 não foram explicados”, escreveu no Twitter.

Segundo a agência Efe, a metodologia do novo relatório da Secretaria de Saúde do México é semelhante à usada pelo Instituto Nacional de Estatística e Geografia (Inegi), segundo o qual o México teve 108.658 mortes por covid-19 nos primeiros oito meses de 2020, uma cifra 55,56% superior aos quase 70.000 óbitos contabilizados pelas autoridades sanitárias até agosto.

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