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Facebook se compromete a investir um bilhão de dólares na atividade jornalística

Rede social busca uma saída para sua batalha contra as empresas da mídia, depois do conflito com o Governo australiano

Os logotipos do Google e Facebook sobre a bandeira da Austrália.
Os logotipos do Google e Facebook sobre a bandeira da Austrália.Dado Ruvic / Reuters

O Facebook se comprometeu nesta quarta-feira a investir um bilhão de dólares (5,41 bilhões de reais) no setor jornalístico durante os próximos três anos. O anúncio ocorre um dia depois de a rede social anunciar que voltará a veicular conteúdos noticiosos na Austrália, após chegar a um acordo com o Governo local sobre uma nova normativa que obrigaria a empresa do Vale do Silício a remunerar os veículos de comunicação australianos pela publicação de suas notícias e reportagens. O projeto de lei do país oceânico desencadeou a primeira grande batalha entre as empresas de mídia e as tecnológicas.

A rede social norte-americana informou nesta quarta-feira que está negociando com editores de notícias da Alemanha e França para pagar por seus conteúdos, além de já ter investido 600 milhões de dólares (3,25 bilhões de reais) no setor informativo desde 2018.

A companhia de Mark Zuckerberg revogou na terça-feira o inédito bloqueio que tinha imposto às notícias que aparecem nos feeds de seus quase 18 milhões de usuários na Austrália. O blecaute de quatro dias acabou depois que Zuckerberg obteve concessões do Governo dirigido por Scott Morrisson a respeito do Código de Negociação de Meios de Notícias e Plataformas Digitais, que está sendo debatido no Senado australiano e tem como objetivo que o Facebook e o Google negociem um preço com os editores pelos conteúdos publicados em suas plataformas.

Em um comunicado publicado no blog onde o Facebook apresenta sua versão do conflito, Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais da rede social, alegou que o bloqueio noticioso foi um “mal-entendido fundamental” envolvendo a relação da rede social com os editores. Clegg considerou “compreensível” que alguns veículos vejam o Facebook como “uma fonte potencial de dinheiro para compensar suas perdas”, mas alegou que não seria justo exigir um “cheque em branco” que, segundo suas palavras, era o que propunha o projeto de lei australiano em sua primeira versão.

“O Facebook teria se visto obrigado a pagar quantias potencialmente ilimitadas de dinheiro a conglomerados de mídia multinacionais sob um sistema de arbitragem que, deliberadamente, descreve erroneamente a relação entre os editores e o Facebook”, argumentou Clegg numa postagem intitulada “A verdadeira história do que aconteceu com as notícias no Facebook na Austrália”. “É como obrigar os fabricantes de automóveis a financiarem as emissoras de rádio porque as pessoas poderiam ouvi-las no carro, e além disso deixar que as emissoras fixem o preço”, comparou. Com as emendas aplicadas ao projeto de lei, será levada em conta a contribuição de cada meio para a sustentabilidade do setor jornalístico na Austrália, através de acordos comerciais com empresas do setor.

Mídia x tecnológicas

A soma anunciada pelo Facebook é a mesma que o Google estabeleceu no ano passado: um bilhão de dólares em três anos. O modelo de negócio desses gigantes tecnológicos em sua relação com os meios de comunicação está sob escrutínio enquanto a indústria tenta superar a crise que a assola. Os veículos consideram que as empresas tecnológicas tiram proveito de seus conteúdos e monopolizam a maior parte do bolo publicitário. Google e Facebook alegam que graças a eles os editores multiplicaram seu número de leitores.

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