Protestos sociais

Violência marca terceiro sábado de protestos contra a lei de segurança na França

Grupos de manifestantes incendeiam carros, quebram vitrines e agridem a polícia em Paris

Policiais franceses durante a manifestação deste sábado em Paris contra a lei de segurança.
Policiais franceses durante a manifestação deste sábado em Paris contra a lei de segurança.GONZALO FUENTES / Reuters

A violência marcou o terceiro sábado consecutivo de protestos contra a polêmica lei de segurança da França. Grupos de manifestantes incendiaram automóveis, quebraram vidros de lojas e bancos e atacaram as forças policiais durante uma marcha que reuniu milhares de pessoas em Paris. O ministro do Interior, Gérald Darmanin, anunciou 64 detenções. Oito agentes ficaram feridos.

Fogueiras, estilhaços, gás lacrimogêneo, rojões: as cenas de desordem e caos no centro da capital francesa, ainda meio confinada por causa da pandemia, voltam a se transformar em rotina. As manifestações pacíficas são cada vez mais raras na França. Depois dos meses de pausa pelos confinamentos, a rua ― ator essencial na política francesa ― ocupa de novo um lugar central como força de oposição. A chamada lei sobre a “segurança global”, em pleno processo de emendas e aprovação na Assembleia Nacional e no Senado, ativou um movimento de protesto com concentrações semanais e explosões de violência.

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As manifestações deste sábado vieram depois das multitudinárias, e em sua maioria pacíficas, da semana anterior ― que reuniram 133.000 pessoas em todo o país. Dois dias depois, o presidente Emmanuel Macron ordenou que os legisladores de seu partido revisassem o artigo mais discutido da lei, o 24, que proíbe a difusão de imagens de policiais que possam ser utilizadas para algum tipo de ataque à integridade física ou moral dos agentes.

A promessa de uma “reelaboração completa” do artigo 24 não dissuadiu os 52.350 manifestantes que, segundo o Ministério do Interior, saíram às ruas de Paris, Marselha, Lyon, Nantes e outras cidades. Nem o punhado de manifestantes violentos ― cerca de 500 em Paris, muitos deles encapuzados ― que lançaram projéteis contra os agentes, destruíram vidros de bancos e imobiliárias e incendiaram mobiliário urbano e pelo menos seis carros e um caminhão estacionados na avenida Gambetta, no nordeste de Paris.

Segundo o Governo francês, o objetivo do artigo 24 é proteger as forças policiais. Estas alegam um desgaste moral e físico considerável após anos de manifestações violentas. Acreditam que a difusão das imagens de seus rostos as transforma em alvo potencial de campanhas de ódio e põe em perigo sua vida e a de seus familiares.

O argumento dos críticos da lei ― de sindicatos de jornalistas e diretores de meios de comunicação até a defensora do povo, relatores da ONU e a oposição francesa de esquerda ― é que o artigo 24 viola a liberdade de informação. O risco é que, pela ambiguidade da norma, a liberdade de jornalistas e cidadãos de documentar a violência policial seja limitada.

Na sexta-feira, Macron defendeu, em entrevista ao site Brut, a necessidade de proteger a força policial. Mas enfatizou: “A resposta não pode consistir em reduzir a liberdade de imprensa.” E garantiu que, sob a nova redação do artigo 24, jornalistas e cidadãos poderão continuar gravando os agentes e difundindo as imagens.

O terceiro sábado consecutivo de protestos na França (e o segundo com violência) faz lembrar o que ocorreu há dois anos com as primeiras manifestações semanais dos coletes amarelos. Embora seu número tenha diminuído até um patamar anedótico, os coletes amarelos acabaram saindo às ruas toda semana durante quase um ano.

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