Al Qaeda

Número dois da Al Qaeda é assassinado no Irã

Oficiais de inteligência dos EUA confirmam que Abu Muhammad al Masri, acusado dos ataques às embaixadas norte-americanas na África em 1998, foi baleado em agosto em Teerã

A Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia, após o atentado em 7 de agosto de 1998
A Embaixada dos Estados Unidos em Nairóbi, no Quênia, após o atentado em 7 de agosto de 1998STR / EFE

Oficiais de inteligência norte-americanos confirmaram que o número dois da Al Qaeda, o grupo terrorista matriz da jihad global, foi assassinado no Irã há três meses. Abdullah Ahmed Abdullah, considerado um dos cérebros dos atentados mortais que em 1998 atingiram duas embaixadas dos EUA na África, foi abatido em 7 de agosto nas ruas de Teerã por dois agentes israelenses que dirigiam uma motocicleta, de acordo com as informações do jornal The New York Times na sexta-feira, o mesmo dia em que a França anunciava a morte do líder da filial da Al Qaeda no Sahel. Junto com Abdullah, cujo nome de guerra era Abu Muhammad al Masri, também morreu sua filha Miriam, a viúva de Hamza bin Laden, um dos filhos de Osama bin Laden e figura fundamental na organização, que foi assassinado em uma operação especial no começo do mandato de Donald Trump.

A execução de Al Masri, que parece saída do roteiro da nova série israelense de sucesso, Teerã, foi realizada por dois pistoleiros israelenses, mas feita a pedido de Washington, de acordo com quatro dos funcionários de inteligência que confirmaram a notícia ao jornal. Não se sabe qual foi o papel concreto desempenhado pelos Estados Unidos, além de rastrear os movimentos de Al Masri e outros chefes da Al Qaeda no Irã durante anos (um refúgio chamativo, pela inimizade jurada entre a teocracia xiita e o grupo jihadista sunita). A morte do número dois da Al Qaeda alimentava um rumor recorrente, mas não havia sido confirmada até agora. O grupo terrorista nem sempre informa sobre a morte de seus comandantes, quando não o faz com atraso; nesse caso ainda não se pronunciou.

A alta volatilidade da região —os Estados Unidos assassinaram em janeiro no Iraque o chefe da Guarda Revolucionária iraniana, o general Qasem Soleimani— aumenta a prudência no momento de atribuir a responsabilidade do ataque e se atribuir os méritos derivados dele. Israel não se pronunciou sobre a operação, enquanto o Irã chamou nesse sábado de “informação inventada” o que foi publicado pelo The New York Times, de acordo com um comunicado em que o Ministério das Relações Exteriores nega a presença de membros da Al Qaeda em seu território, informa a agência France Presse. Os inimigos do Irã, os Estados Unidos e Israel, “tentam desviar a responsabilidade das ações criminosas da Al Qaeda e outros grupos terroristas na região e vinculam o Irã a estes grupos com mentiras e vazamentos de informações inventadas pela imprensa”, declarou o porta-voz do ministério, Saeed Khatibzadeh.

Al Masri foi um dos fundadores da Al Qaeda e era considerado o substituto natural —tinha aproximadamente 60 anos— de seu atual líder, Ayman al Zawahiri, sobre cuja morte também se especula com insistência.

Al Masri estava na lista dos mais procurados do FBI pelos atentados contra as embaixadas dos EUA no Quênia e na Tanzânia, que custaram a vida de 224 pessoas e deixaram centenas de feridos. A agência norte-americana havia oferecido uma recompensa de dez milhões de dólares (54 milhões de reais) pela informação que levasse a sua captura, enquanto a foto do jihadista ainda aparecia na lista na sexta-feira, confirmou o jornal. Sua execução em Teerã ocorreu no mesmo dia dos atentados às legações dos EUA na África, 7 de agosto.

A confirmação da morte de Al Masri ocorre em um contexto internacional complicado, em que se somam a sucessão presidencial nos EUA, uma onda de explosões e protestos sociais periódicos no Irã, a crescente animosidade entre os dois países e uma semana antes de que o Conselho de Segurança da ONU considere ampliar um embargo de armas contra o regime dos aiatolás. O presidente em final de mandato, Donald Trump, retirou em 2018 os EUA do pacto nuclear assinado com o Irã em 2015. Pelas implicações regionais da notícia, frisa o jornal, é ainda mais surpreendente que a agência de notícias oficial iraniana na época informasse sobre o assassinato afirmando que as vítimas haviam sido um professor membro do Hezbollah, o partido-milícia xiita libanês, e sua filha; de acordo com fontes egípcias e libanesas, o professor tinha o mesmo nome dado a Al Masri por seus anfitriões durante sua estadia no Irã, a partir de 2003, segundo a inteligência norte-americana. Foi preciso esperar até sexta-feira para que fontes autorizadas de Washington identificassem a valiosa peça tombada, enquanto Israel fica em silêncio, da mesma forma que a Casa Branca.

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