Comissão de debates eleitorais nos EUA anuncia mudanças para evitar o caos nas discussões

Após um primeiro embate marcado por interrupções, que Biden qualificou como “vergonha nacional”, grupo planeja introduzir novas regras e outro formato

O presidente Donald Trump e o candidato democrata, Joe Biden, durante o debate.
O presidente Donald Trump e o candidato democrata, Joe Biden, durante o debate.BRIAN SNYDER (Reuters)
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A comissão que organiza os debates presidenciais nos EUA manifestou em nota na quarta-feira sua intenção de introduzir “novas ferramentas que mantenham a ordem” nos próximos dois debates presidenciais. A decisão foi tomada depois do caótico encontro de terça-feira entre Donald Trump e Joe Biden. As constantes interrupções do presidente dos Estados Unidos ao aspirante democrata à Casa Branca definiram um debate no qual várias vezes Biden não conseguiu terminar suas frases.

Apesar das tentativas do moderador Chris Wallace de tentar controlar o destempero e as interrupções de Trump, os esforços do jornalista do canal Fox, que chegava com boas credenciais ao evento por sua independência e profissionalismo, foram em vão. No Twitter, destacados analistas inclusive comentaram que talvez tivesse sido melhor que esse fosse o único debate entre os dois candidatos, e que os dois outros encontros marcados para este mês fosse cancelados. Na próxima terça-feira debaterão os candidatos a vice, Mike Pence e Kamala Harris.

A Comissão de Debates Presidenciais organiza todos os debates presidenciais desde 1988. Em seu comunicado, o grupo diz que este primeiro encontro do ciclo eleitoral de 2020 “deixou claro que é preciso acrescentar estruturas adicionais ao formato atual para os próximos compromissos, para garantir uma discussão mais ordenada dos temas”. Em seguida, a Comissão acrescenta que está analisando cuidadosamente as possíveis mudanças, a serem anunciadas em “breve”.

O candidato democrata tentou manter a linha diante dos ataques de um presidente que mais parecia um valentão de pátio de colégio, intensificando as táticas de 2016. “Não há nada inteligente em você”, chegou a disparar o republicano referindo-se a Biden. Num evento de campanha nesta quarta, o democrata disse esperar que nos futuros encontros —vistos por milhões de pessoas pela televisão— seja possível silenciar o microfone do candidato que não tiver a palavra.

Biden qualificou o debate e o comportamento do Trump como “uma vergonha nacional”. “Não vou aqui especular sobre o que pode acontecer no segundo e terceiro debates”, finalizou o ex-vice-presidente no Governo de Barack Obama.

Na noite de terça-feira, Wallace lutou como pôde durante 90 minutos de evento para retomar o controle do debate realizado em Cleveland (Ohio), perturbado pelas frequentes interrupções, a grande maioria procedente de Trump. Seus apelos para que os candidatos seguissem as normas eram constantes, e em um dado momento ele olhou para Trump e disse que serviria melhor ao seu país “se deixasse as outras pessoas falarem sem interrompê-las”. “Dirijo-me ao senhor para que faça isso”, acrescentou o moderador. “Diga isso a ele também”, respondeu um Trump infantil, em referência a Biden, ao que Wallace replicou: “Francamente, o senhor está fazendo muito mais interrupções que ele”.

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