Coronavírus

Dois mortos colocam a Itália em alerta contra o coronavírus

Os primeiros contágios na região da Lombardia e Vêneto levantam dúvidas sobre algumas das bases até agora estabelecidas para a transmissão da doença

Funcionários do hospital de Codogno (Itália).
Funcionários do hospital de Codogno (Itália).Maurizio maule / efe

A morte de uma mulher neste sábado elevou o número de vítimas do coronavírus na Itália. Na sexta-feira, um homem de 78 anos morreu em um hospital em Pádua, na região de Veneto. A escalada das pessoas afetadas forçou o Governo a admitir a seriedade da situação. Segundo relatos da imprensa italiana, já são cerca de 50 os casos positivos de coronavírus no país, a maioria na Lombardia, incluindo parentes do homem falecido, e os demais na região de Veneto.

O aumento no número de pacientes levou a quarentena obrigatória de cerca de 250 pessoas e ao isolamento de 10 cidades vizinhas da Lombardia, que totalizam cerca de 47.500 habitantes. O ministro da Saúde, Roberto Speranza, anunciou que em breve serão adotadas novas medidas restritivas também em Veneto.

O governo regional da Lombardia forçou o fechamento de todos os estabelecimentos públicos (lojas, escolas, prédios administrativos) e recomendou que os moradores não deixassem suas casas nos próximos dias. O alarme médico foi dado também por não estar claro o foco do contágio nem o vínculo epidemiológico que permitiria isolar a doença. Esses casos somam os outros três já conhecidos, dois turistas chineses e um italiano repatriado de Wuhan, que estão hospitalizados em Roma.

“É necessário isolar imediatamente as áreas onde o vírus se espalhou, para contê-lo”, explicou o comissário da Defesa Civil da Lombardia, Pietro Foroni. “Não devemos semear o pânico, mas precisamos fazer as pessoas entenderem que as medidas tomadas são essenciais para o bem da comunidade", disse o presidente da Lombardia, Attilio Fontana. O ministro da Saúde, Roberto Speranza, e o chefe da Agência Nacional de Defesa Civil, Angelo Borrelli, foram à Lombardia na tarde desta sexta-feira para realizar uma reunião de crise com as autoridades locais.

No final da noite de sexta-feira, o governador da região de Veneto, Luca Zaia, confirmou à agência italiana Ansa o primeiro morto pela doença na Itália. Adirano Trevisan, um septuagenário com três filhos e ex-proprietário de uma pequena empresa, que havia sido internado no hospital em Schiavonia por outra doença há cerca de 10 dias. Ele é o segundo morto na Europa pelo coronavírus após a morte na semana passada, na França, de um turista chinês de 80 anos que esteve hospitalizado em Paris por várias semanas. O governador anunciou medidas emergenciais, incluindo o fechamento do hospital de Schiavonia: “Ninguém poderá entrar [no centro médico]. Pacientes hospitalizados não receberão alta antes de serem testados”.

O primeiro caso detectado foi o de um italiano de 38 anos de Castiglione d’Adda. O paciente foi hospitalizado na quarta-feira, mas, num primeiro momento, não se estabeleceu uma conexão óbvia com a China e os médicos descartaram que os sintomas pudessem estar relacionados à doença. Quando sua situação piorou e ele teve que ser transferido para a unidade de terapia intensiva, sua mulher deu o alerta que ativou o protocolo: o homem havia se encontrado várias vezes com um amigo que tinha voltado recentemente da China. Mas a pista era mais desconcertante.

Os encontros entre os dois ocorreram muitos dias depois do retorno do homem do país asiático. Mais do que os 14 dias em que se estabeleceu a duração do processo de incubação, período que pode ocultar os sintomas. Além disso, quando se examinou o potencial portador do vírus, os testes deram negativo. O homem ainda continua hospitalizado para novos exames, mas nunca teve nenhum sintoma e, se realmente contraiu o vírus, sua infecção já pode ter acabado, sugeriram as autoridades sanitárias. O pior dos cenários, e, portanto, a causa do alarme na região é que o elo epidemiológico tenha sido perdido.

A mulher do paciente, que está grávida de oito meses, foi uma das que tiveram resultado positivo no teste de coronavírus, assim como um homem que havia praticado esporte com o marido dela. Os demais infectados não tiveram, em princípio, contato direto com o homem de 38 anos. São três clientes de um bar em Codogno, o principal foco de contágio na Lombardia. Todos chegaram entre quinta e sexta-feira à noite no hospital dessa cidade com quadro preocupante de pneumonia, o que permitiu detectar os positivos. “Os pacientes são homens e mulheres, todos com cerca de 40 anos. O único elemento que conhecemos é que todos vivem na mesma área", disse a princípio o conselheiro regional da Saúde, Giulio Gallera. No entanto, outras oito pessoas na Lombardia se somaram à lista de infecções, incluindo cinco médicos e três pacientes do hospital de Codogno, onde foram tratadas as primeiras pessoas que contraíram o vírus.

O entorno do primeiro homem contagiado foi isolado. O paciente trabalha em uma filial italiana da Unilever, enquanto o amigo que fez a viagem à China é um gerente da MAE, uma fábrica italiana de fibras sintéticas. Entre as pessoas que precisam ficar em quarentena estão os colegas de trabalho desse homem de 38 anos, seus parentes e os médicos e enfermeiras que o atenderam no hospital. A sala de emergência que tratou inicialmente o homem de 38 anos foi fechada.

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