Assessor de Boris Johnson que questiona a inteligência dos negros e defende a eugenia pede demissão

Andrew Sabisky pede para deixar o cargo após pressão da oposição ao primeiro-ministro britânico

Andrew Sabisky, em uma foto de sua conta do Twitter de novembro de 2018.
Andrew Sabisky, em uma foto de sua conta do Twitter de novembro de 2018.

Dominic Cummings, o homem que move os pauzinhos em Downing Street e tem toda a confiança de Boris Johnson, convocou no início do ano todos os “esquisitos e desajustados” capazes de gerar grandes ideias para ajudar o novo Governo conservador a mudar o país. Andrew Sabisky, 27, ganhou um lugar. E não demorou muito para seguir a trilha de Cummings e causar sérios problemas políticos ao primeiro-ministro britânico. Após a forte repercussão negativa depois de virem à tona falas racistas do assessor ―que ainda defendendo a eugenia―, Sabisky apresentou sua carta de demissão ao premiê do Reino Unido no final da tarde desta segunda-feira.

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Bastou rastrearem seus vários tuítes e textos para perceberem que Sabisky era mais do que um “esquisitão”. Ele defendeu uma seleção controlada de bebês inteligentes, para evitar uma “subclasse permanente” de cidadãos. “A eugenia consiste em selecionar o bom, como o termo indica. A inteligência é algo herdado e produz melhores resultados: melhor saúde física, melhor renda e menos doenças mentais”, disse Sabisky em entrevista à revista Schools Week em 2016. " Uma maneira de evitar os problemas causados ​​por gestações indesejadas, que criam uma subclasse permanente, seria forçar o uso de métodos contraceptivos na chegada da puberdade", acrescentou.

Sabisky chegou a defender que fosse administrado semanalmente a algumas crianças o medicamento Modafinil, um neuroestimulante que combate a narcolepsia e favorece a concentração, mas com efeitos colaterais perigosos. "De uma perspectiva social, os benefícios de dar a todo mundo Modafinil uma vez por semana superam a desvantagem de que alguma criança morra por ano", disse ele.

Ele também argumentou, com supostas evidências científicas, que o quociente intelectual da população negra dos Estados Unidos “é, em média, menor que o dos brancos”. “Pode-se ver que há uma porcentagem maior de negros em uma escala de 75 ou menos, e nesse ponto nos aproximamos da fronteira típica do que seria um retardo mental leve”, argumentou.

O assessor de Downing Street não deixou de lado nenhum tema. Na mesma entrevista citada ele dizia que “o esporte feminino tem mais semelhança com o paralímpico do que com o masculino”.

Os partidos de oposição exigiram que o Governo expulse Sabisky. “Temos um primeiro-ministro que chegou a escrever em um artigo que os negros pertenciam a outro ramo no que se refere ao quociente intelectual. Não é por acaso que acabou contratando alguém que defende a eugenia”, disse Rebeca Long Bailey, uma das três candidatas que aspiram à liderança do Partido Trabalhista. “Precisam agir de imediato e demonstrar que existem valores fundamentais que devem ser preservados no debate público”, escreveu a primeira-ministra da Escócia, Nicola Sturgeon, em sua conta no Twitter.

Downing Street se negou por horas a informar se Johnson respaldava o assessor, mas os porta-vozes do Governo fizeram um esforço para deixar claro que ele não é um funcionário fixo, mas um colaborador externo. “Os pontos de vista do primeiro-ministro [sobre as questões em que Sabisky opinou] são públicos e foram bem documentadas”, se limitaram a explicar.

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