ALIBABA

Jack Ma, o fundador da Alibaba, reaparece após três meses desaparecido

Magnata, longe dos holofotes após as autoridades da China iniciarem uma campanha contra ele e suas empresas, participou por via remota de um ato de sua fundação

Jack Ma, fundador da Alibaba em uma reunião em Paris, França, em maio de 2019.
Jack Ma, fundador da Alibaba em uma reunião em Paris, França, em maio de 2019.Charles Platiau / Reuters

Não estava morto e não estava na farra. Jack Ma, fundador da empresa Alibaba e uma das maiores celebridades da China, reapareceu hoje após quase três meses em paradeiro desconhecido. O magnata havia se mantido afastado dos holofotes após as autoridades do gigante asiático iniciarem uma campanha contra ele e suas empresas, o que causou rumores sobre sua situação legal.

Ma, caído em desgraça aos olhos do Partido, participou na quarta-feira de uma entrega de prêmios para professores rurais que tem seu nome. O fez, entretanto, pela tela. Durante o vídeo de sua fala divulgado pela imprensa, disse que pela pandemia a edição não pôde ser feita presencialmente na cidade de Sanya, sul da China, como de costume. As imagens, oferecidas pelo jornal Tianmu News, também mostram o bilionário inspecionando um colégio perto de Hangzhou, cidade da sede central da Alibaba.

A organização informou que ele participou de maneira remota no evento com os 100 vencedores. Todos eles receberam um cheque no valor de 100.000 yuans (82.000 reais) para melhorar as condições de suas escolas. Durante a premiação, Ma reconheceu o esforço dos 2,9 milhões de professores rurais espalhados pelo território chinês, e afirmou que a razão de ser dos prêmios é “agradecer e oferecer nosso respeito aos professores”.

Antes de ser bilionário, Ma iniciou sua carreira dando aulas de inglês, e durante seus anos no comando da Alibaba pedia aos empregados que se dirigissem a ele não como “laoban”, “chefe”, e sim como “laoshi”, “professor”. As Bolsas receberam sua reaparição com alegria: as ações da Alibaba fecharam o dia com um aumento de 8,52% na Bolsa de Hong Kong.

Jack Ma havia sido visto em público pela última vez no final de outubro, quando durante um evento criticou a legislação do país em matéria financeira e sua mentalidade de “lojas de penhor”, palavras que as autoridades receberam como um desafio e que desencadeou o bloqueio da entrada na Bolsa da empresa de serviços financeiros digitais Ant Group, da qual o magnata é o maior acionista. O Governo cancelou a operação, destinada a ser a maior oferta pública inicial da história, quando faltavam apenas 48 horas para a data marcada.

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Desde então, as punições foram constantes e logo se estenderam à casa matriz. Em dezembro, a Administração Estatal para a Regulamentação do Mercado anunciou a abertura de uma investigação contra a Alibaba, acusada de práticas monopolistas. Pelo confronto com as autoridades, o gigante tecnológico perdeu quase um terço de sua cotização na Bolsa desde o final de outubro, equivalente à evaporação de 340 bilhões de dólares (1,8 trilhão de reais).

O ocorrido também afetou o empresário. Além das preocupações legais, o que foi o homem mais rico da China viu como nos últimos meses seu patrimônio diminuiu de 51 bilhões de euros (328 bilhões de reais) a 40 bilhões (257 bilhões de reais), de acordo com os dados da Bloomberg. Em sua fala de hoje, por outro lado, tentou passar uma mensagem otimista. Ma se despediu marcando com os professores na próxima edição do prêmio. “Quando a pandemia acabar certamente encontraremos a oportunidade de continuar com nossa trajetória em Sanya. Nós nos encontraremos novamente quando esse dia chegar.”



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