Três milionários chineses fazem uma aliança para competir com a Alibaba

Grupo Wanda se posiciona como alternativa no comércio eletrônico na China

Desde a esquerda: Robin Li (Baidu), com Wang Jailin (Wanda), e Ma Huanteng (Tencent).
Desde a esquerda: Robin Li (Baidu), com Wang Jailin (Wanda), e Ma Huanteng (Tencent).pu man / efe

O mercado do comércio eletrônico na China é suculento demais para que fique nas mãos de um só. Isso é o que devem ter pensado Ma Huateng, Robin Li e Wang Jianlin, três dos empresários mais ricos da China, quando há menos de um mês uniram forças para criar uma nova empresa que compita nesse negócio justo quando a Alibaba, que domina amplamente o setor no país, finalizava sua reluzente irrupção em Wall Street. Uma estreia em bolsa, concretizada na sexta-feira, que posicionou a Alibaba entre as 20 empresas mais valiosas do mundo, com uma capitalização de 231 bilhões de dólares (550 bilhões de reais).

Na classificação elaborada pela Bloomberg, Ma, Li e Wang ostentam a segunda, terceira e quarta maiores fortunas na China, só superados agora por Jack Ma, fundador e presidente da Alibaba. Seu êxito reside no fato de as empresas que dirigem (Tencent, Baidu e Wanda) serem líderes em seus respectivos negócios, e sua recente união tem como fundamento nunca terem conseguido individualmente abrir uma brecha significativa no setor de comércio eletrônico.

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O conglomerado Wanda é o maior grupo imobiliário do país. Conta com uma extensa rede de shopping centers, hotéis de luxo e salas de cinema. No ano passado anunciou um investimento equivalente a 19 bilhões de reais para criar uma “Cidade do Cinema” no município costeiro de Qingdao, e recentemente virou notícia na Espanha depois de comprar o emblemático edifício España, em Madri. A empresa pretende agora levar seu imenso negócio para o terreno online na China em um momento em que a linha entre o comércio físico e o eletrônico se torna difusa e é preciso agir ante a indiscutível liderança da Alibaba.

A aposta é forte: do equivalente a 1,9 bilhão de reais investidos no novo projeto conjunto, o grupo imobiliário entrará com 70% enquanto a Tencent e a Baidu contribuirão com 15% cada uma. De fato, em um comunicado que comenta a aliança, a agência de classificação Fitch garante que “o capital alocado reflete o forte compromisso do grupo Wanda com esse projeto”.

Que a Wanda tenha escolhido como parceiros essas duas empresas tampouco é por acaso. A Baidu é o principal site de buscas na China, com mais de 500 milhões de usuários ativos mensais e a Tencent é líder nas redes sociais com as plataformas QQ e WeChat, que acumulam 829 e 438 milhões usuários, respectivamente. A Wanda sabe que seus aliados são o principal canal para aproximar seus negócios dos celulares e tablets dos chineses. “Trata-se basicamente de serviços, como cinema e karaokê, que incorporaremos a nossas plataformas já existentes, como os portais de compras em grupo ou o serviço de mapas”, explica Anna Wang, responsável pela assessoria de Comunicação da Baidu. Basicamente, a Wanda usará as plataformas da Baidu e da Tencent para atrair seus milhões de usuários. Daí vem a expressão que os três presidentes não se cansaram de repetir quando, no final de agosto, anunciaram a aliança: “Do online ao offline”.

Se a Baidu facilitará a geolocalização, a Tencent sairá fragmentada do acordo graças ao seu sistema de pagamento, o TenPay. Cada vez que um dos futuros usuários adquirir um produto ou serviço, realizará o pagamento através de seu sistema de pagamento virtual, que, apesar de ter sido bem recebido pelo público, ficou muito atrás do Alipay, a plataforma da Alibaba.

Embora a união seja de três gigantes que dominam seus setores, nem todo mundo está otimista quanto ao resultado. “Nossas análises indicam que a possibilidade de fracasso dessa aliança é de 50%, porque as três empresas já sofreram vários retrocessos no setor de comércio eletrônico”, afirma Cao Yong, diretor do Centro de Pesquisa de Comércio Eletrônico na China. “Além disso, a Wanda terá de manter ativas a Tencent e a Baidu para poder tirar o máximo proveito de seus recursos”, acrescenta. Principalmente a primeira delas, porque seus 15% de participação em outro portal de comércio eletrônico, jd.com, poderia desmotivá-lo no caso de que o novo projeto se transforme em um competidor real no crescente mercado chinês.