Pandemia de coronavírus

Queda nas Bolsas tirou 117 bilhões de reais do maior fundo soberano do mundo no 1º semestre

Mecanismo norueguês que reinveste lucros do gás e petróleo sente o golpe da crise sanitária sobre os mercados financeiros, pois tem a maior parte de seus ativos em renda variável

Vista de uma plataforma petroleira em Stord (oeste da Noruega).
Vista de uma plataforma petroleira em Stord (oeste da Noruega).Nerijus Adomaitis / Reuters

A depreciação global de ativos provocada pela pandemia de coronavírus também passa fatura ao maior mecanismo soberano de investimentos do planeta. O fundo de pensões do Estado norueguês, criado em 1996 para investir os dividendos obtidos com a venda de gás e petróleo, podendo assim garantir uma renda futura a seus cidadãos, perdeu 188 bilhões de coroas (117,4 bilhões de reais) na primeira metade do ano. O valor de seus ativos foi afetado pelo afundamento das principais Bolsas do mundo depois dos confinamentos maciços para tentar evitar o avanço da covid-19. No final de 2019, o total de ativos geridos por esse fundo público superava os seis trilhões de reais, um valor não muito distante do PIB do Brasil.

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O valor dos investimentos em nome do fundo previdenciário norueguês recuou 3,4% nos seis primeiros meses de 2020, arrastado pela surra sofrida pelas Bolsas (-6,8%) e, em menor medida, pelo retrocesso de suas apostas imobiliárias (-1,6%), segundo as cifras divulgadas nesta terça-feira em Oslo. A única nota positiva veio da renda fixa, que obteve juros de 5,1%, amortecendo a paulada sobre os outros dois itens. Por mercados, as maiores quedas ocorreram nas Bolsas europeias (-12%) e emergentes (-7%), enquanto os pregões norte-americanos e asiáticos se mostraram mais benevolentes. Quase 70% dos ativos do fundo estão depositados em ações, contra quase 28% em renda fixa (pública e privada) e pouco mais de 2% em imóveis.

Embora a pandemia seja o principal ingrediente das perdas do fundo no semestre, não é o único: a rentabilidade dos ativos selecionados pelo fundo para sua carteira foi sensivelmente inferior (11 pontos básicos) que ao de seus índices de comparação. Contudo, os resultados são notavelmente melhores que os colhidos no primeiro trimestre, quando sua carteira perdeu a bagatela de 752 milhões de reais: entre abril e junho, o melhor desempenho dos mercados financeiros conseguiu reduzir as perdas sensivelmente.

Embora em um ambiente de permanente “incerteza, os mercados se desenvolvem bem durante o verão [do Hemisfério Norte, até setembro] e esperamos que o valor dos nossos ativos fique virtualmente a zero no fim de ano”, disse Trond Grande, diretor-executivo-interino do banco público Norges Bank, encarregado da gestão dos ativos do fundo. “Houve importantes flutuações nas Bolsas durante este período. O ano começou com otimismo, mas as perspectivas nos mercados rapidamente sofreram uma reviravolta quando o coronavírus começou a se expandir por todo o mundo. Entretanto, a abrupta queda dos três primeiros meses do ano foi limitada por uma resposta monetária e financeira muito importante”, salienta Grande, que ocupa o cargo provisoriamente desde a demissão de seu antecessor, Yngve Slyngstad, no final do ano passado.

A depreciação da moeda local contribuiu, também, para recente valorização dos ativos sob o guarda-chuva do país escandinavo, incrementando o valor total do fundo em 672 bilhões de coroas. Em pleno vendaval econômico na Noruega, golpeada pelos confinamentos e pelo desabamento conjuntural no preço do petróleo e do gás – que somam mais da metade das exportações do país nórdico –, o Governo retirou 167 bilhões de coroas (103 bilhões de reais) do fundo para cobrir seu rombo fiscal. Durante a crise, o Executivo norueguês, ampliou temporariamente de 3% para 4% o volume máximo que pode ser retirado para que o Estado feche suas contas, num momento tensão generalizada para os fiscos europeus.

O instrumento norueguês de investimento público foi criado em 1996 para investir no exterior os lucros derivados da venda de gás e o petróleo, e dois anos mais tarde sua gestão se tornou independente dos desígnios políticos.

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