Rio de Janeiro

Operação policial mata 12 supostos milicianos no Rio

Grupo passou a ser vigiado 15 dias atrás, depois que dois candidatos a vereador foram mortos na região da Baixada Fluminense

A polícia vasculha uma área da Baixada Fluminense, na periferia do Rio de Janeiro, em 2019.
A polícia vasculha uma área da Baixada Fluminense, na periferia do Rio de Janeiro, em 2019.FELIPE FITTIPALDI

Uma operação policial contra supostos milicianos ― ex-integrantes das forças de segurança que se tornaram criminosos ― terminou em um banho de sangue na madrugada desta sexta-feira no Rio de Janeiro. Pelo menos 12 milicianos que viajavam em um comboio morreram ao trocarem tiros com agentes da Polícia Civil na Baixada Fluminense. O grupo começou a ser vigiado 15 dias atrás, dentro de uma operação para garantir a segurança nas eleições municipais de 15 de novembro, depois que dois candidatos a vereador foram assassinados recentemente nesta região.

Na noite de sábado, o candidato a vereador Domingos Barbosa Cabral (DEM-RJ), de 57 anos, foi morto a tiros enquanto estava num bar; dez dias antes, o candidato Mauro Miranda da Rocha (PTC-RJ), de 41 anos, foi assassinado a tiros também na região, conforme informações do jornal O Globo. Ambos tinham passagem pela polícia por porte ilegal de armas. Nas eleições de 2016, 15 candidatos foram mortos na Baixada Fluminense e região metropolitana, conforme o portal R7.

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A operação desta sexta foi a mais contundente (e letal) dos últimos tempos contra as milícias ― grupos peculiares dentro do ecossistema criminal do Rio de Janeiro, onde os delinquentes comuns convivem com narcotraficantes, que dominam as favelas, e com essas quadrilhas compostas por homens que no passado foram policiais, militares ou bombeiros, mas migraram para o crime organizado. A principal atividade criminosa dos milicianos costuma ser a extorsão nos bairros onde se fortaleceram.

O clã liderado pelo presidente Jair Bolsonaro há anos é alvo de suspeitas de ligações com as milícias da Zona Oeste do Rio. O senador Flavio Bolsonaro (Republicanos-RJ), filho mais velho do presidente, empregou em seu gabinete a mãe e esposa de Adriano Nóbrega, um poderoso miliciano que morreu meses no começo do ano numa operação policial na qual muitos viram como uma tentativa de queima de arquivo. O mandatário ultradireitista construiu sua longa carreira de deputado defendendo interesses corporativos de policiais e de militares de baixa patente.

Antes do confronto desta madrugada, a polícia tentou interceptar o grupo em várias ocasiões, sem conseguir, até que na noite passada o encurralou no município de Itaguaí, na Baixada Fluminense, conforme relatou o delegado Rodrigo Oliveira ao jornal O Globo. Ele disse que o primeiro tiro partiu dos criminosos, que feriram um de seus agentes. Aí começou o tiroteio, que acabou com a morte dos 12 milicianos que ocupavam quatro veículos, incluído um que foi levado ao hospital. Foram apreendidos com o grupo cinco fuzis, três metralhadoras, pistolas, uma granada e rádios de comunicação.

O órgão encarregado da operação contra as milícias é a Polícia Civil, que tradicionalmente no Brasil se dedica às investigações e não é mobilizada nas ruas, território da Polícia Militar.

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