Governo Bolsonaro

PF apreende dinheiro “entre as nádegas” de vice-líder do Governo Bolsonaro, diz revista

Residência do senador Chico Rodrigues em Roraima foi alvo de operação contra desvios de verba contra covid-19. Informação foi publicada pela ‘Crusoé’

Léo Índio, aliado próximo do Planalto, e o senador Chico Rodrigues, vice-líder do Governo, exibem foto de Bolsonaro.
Léo Índio, aliado próximo do Planalto, e o senador Chico Rodrigues, vice-líder do Governo, exibem foto de Bolsonaro.Reprodução

A Polícia Federal bateu à casa do senador e vice-líder do Governo Bolsonaro no Congresso, Chico Rodrigues (DEM) em Boa Vista, em Roraima, com a devida autorização do Supremo Tribunal Federal, para rastrear supostos desvios de verba destinada ao combate à pandemia de covid-19. O alvo já era uma dor de cabeça para o Planalto, já que o presidente tem dito que não há corrupção em sua administração, mas os desdobramentos que vieram depois se mostrariam ainda mais constrangedores. Segundo a revista Crusoé, Rodrigues tentou esconder cerca de 30.000 reais, em dinheiro vivo, na cueca. Mais precisamente “entre as nádegas”.

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A notícia da revista, que os jornais Folha, Globo e Estado de S. Paulo disseram ter conseguido confirmar, correu como um rastilho de pólvora para entrar nos anais dos escândalos escatológicos da República, arrastando consigo uma avalanche de piadas, memes e trocadilhos. Virou um dos temas mais comentados no Twitter, aumentando o incômodo para Bolsonaro. Ato seguido, surgiram imagens nas quais o presidente aparece ao lado de Chico Rodrigues (DEM) e diz ter com ele quase “uma união estável”. A operação que atingiu o senador aconteceu no mesmo dia em que o mandatário voltou a dizer que não há irregularidades em seu Governo e que daria uma “voadora no pescoço” em quem se envolvesse em corrupção.

Segundo o jornal O Estado de S. Paulo, ao todo a PF diz ter encontrado cerca de 100.000 reais na casa do senado e apura indícios de o dinheiro vem de desvios de um contrato da área da saúde que teria sobrepreço de mais de um milhão de reais. Da operação participou ainda a CGU (Controladoria Geral da União).

“Tenho um passado limpo e uma vida decente. Nunca me envolvi em escândalos de nenhum porte”, disse o vice-líder do Governo, em nota. Bolsonaro ainda não se pronunciou após o episódio. A proximidade do senador com o Planalto fica explícita em outro elo. Rodrigues contratou para seu gabinete Leonardo Rodrigues de Jesus, o Leo Índio, um integrante da entourage de Bolsonaro, espécie de sobrinho do presidente e pessoa de confiança do vereador Carlos Bolsonaro (PSC-RJ).

O episódio arranha a imagem do Planalto no momento em que uma fatia da base de apoiadores do presidente nas redes sociais se vê desconfortável com a aliança do mandatário com “a velha política”, incluindo nomes da cúpula do Judiciário, como os ministros Antonio Dias Toffoli e Gilmar Mendes.


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