Chaps Melo: “As pessoas se abraçaram ao Mundo Bita na pandemia”

Cantor, compositor e um dos criadores do desenho infantil pernambucano fala ao EL PAÍS sobre sua estreia nas 'lives' na quarentena e reflete sobre fazer músicas e animações com bandeiras inclusivas

Chaps Melo, cantor, compositor e um dos criadores do Mundo Bita.Bateu Melo/Divulgação.
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Chaps Melo é a voz que canta os sucessos do Mundo Bita, o simpático apresentador de circo que tornou-se um dos maiores fenômenos da animação brasileira a partir de 2012, quando estreou o hit Fazendinha. E o Mundo Bita, no Brasil, só não conhece quem não convive com nenhuma criança desde então. A série estrelada pelo rechonchudo personagem soma mais de 6 bilhões de visualizações nas plataformas em que está presente, foi finalista de um Grammy Latino (em 2018), e rendeu parcerias com alguns dos nomes mais importantes da música brasileira, como Milton Nascimento, Ivete Sangalo, Lulu Santos, Alceu Valença... Em entrevista ao vivo ao EL PAÍS, nesta terça-feira, o cantor, compositor e um dos quatro pais do Bita contou como tudo nasceu de uma ilustração para decorar o quarto da filha mais velha, em 2010: “Ele nasceu de um jeito muito despretensioso e acho que essa é uma das razões que deu tão certo.”

O Mundo Bita nasceu em Recife, Pernambuco, nos estúdios da Mr. Plot, uma produtora de conteúdo fundada por Melo e mais três amigos ―João Henrique Souza, Enio Porto e Felipe Almeida―, todos pais que entenderam haver uma demanda por conteúdos de entretenimento infantil de qualidade. Inicialmente, ele seria o herói de um livro digital, mas a ideia não vingou e só foi salva quando decidiram experimentar transporta-lo para as telas com clipes musicais. Filho de uma pianista e um desenhista industrial, Melo sempre teve contato com a música e tinha uma banda, mas nunca imaginou que viveria disso. Decidiu compor algumas letras, melodias e testar a ideia. “Ainda é um trabalho muito artesanal, feito devagar e com muito cuidado, pesquisa, carinho”, explica Melo.

Os sócios João Henrique, Enio Porto, Chaps Melo e Felipe Almeida, com seu Bita, ao fundo.
Os sócios João Henrique, Enio Porto, Chaps Melo e Felipe Almeida, com seu Bita, ao fundo.Divulgação/Mr.Plot

Batizado em homenagem ao pai de Melo, um grande torcedor do Náutico que era fã do jogador Silvio Tasso Lasalvia, o Bita, o desenho traz referências pernambucanas, embora já tenha há anos transpassado as fronteiras do Estado nordestino e ganhado versões em espanhol e português de Portugal. Agora, começa a ser adaptado ao inglês, de olho na expansão para o mercado externo.

Apesar de o Mundo Bita ter explodido entre o final de 2012 e o início de 2013, foi somente em 2016 que a produtora saiu, de fato, do vermelho e tornou-se um negócio rentável para os sócios. Hoje, são 20 pessoas na Mr. Plot (além dos parceiros licenciados), todas atualmente trabalhando em homeoffice devido à pandemia do novo coronavírus ―o que antecipou os planos de Melo de sair de trás das telas e se apresentar diante das câmeras. “Eu não me pareço com o personagem, é um impacto. ‘Ah, mas ele não parece nada’. Ou então: ‘Ah, ele é muito roqueiro pra fazer clipe de criança’, ‘ele tem esse barbão’… ‘Quem é esse cara? Devolve meu Bita!”, conta ele, ao ser questionado sobre a reação dos fãs a sua aparição.

Com músicas sobre inclusão, respeito às diferenças, igualdade entre os gêneros e os múltiplos núcleos que compõem as famílias, o Mundo Bita se viu ainda mais próximo dos fãs na quarentena, quando muitas mães, pais e cuidadores viram nas telas um refúgio para a falta de liberdade provocada pela covid-19. A arte se tornou também uma aliada para explicar aos pequenos a quebra de rotina e a distância de pessoas queridas. Não à toa, um dos clipes mais vistos no período tem sido justamente um que fala sobre estar dodói e sentir saudades. “As pessoas se abraçaram ainda mais ao Mundo Bita na pandemia. Sabemos o peso da nossa responsabilidade, ainda mais nos dias como hoje”, reflete.


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