A vida mais familiar de Paul McCartney

O ex-Beatle, de 77 anos, troca a guitarra pelos livros infantis e publica sua primeira história dedicada aos oito netos, com quem se diverte pescando e tomando sorvete

Paul McCartney, em Londres, em setembro passado.
Paul McCartney, em Londres, em setembro passado.

MAIS INFORMAÇÕES

Não há dúvida de que a idade não é um empecilho para Paul McCartney que, aos 77 anos, trocou a guitarra pelas histórias para crianças. O ex-Beatle se lançou ao universo da literatura infantil e publicou seu primeiro livro do gênero, baseado em sua própria experiência como avô. Hey Grandude, lançado em setembro passado, conta as fantásticas aventuras do Grandude (uma mistura de palavras em inglês que significam “avô” e “amigo”), um personagem mágico que vive com seus netos. Embora McCartney admita que nunca enfrentou tubarões, como seu alter ego literário, o músico diz que adora se divertir no mar com seus oito netos. “Tenho um pequeno bote nos Hamptons e sempre que posso saímos juntos para o mar, onde às vezes pescamos”, diz o britânico em uma entrevista à revista Paris Match.

McCartney é pai de cinco filhos – quatro do seu primeiro casamento com Linda, que morreu em 1998 de câncer de mama, e a quinta, Beatrice, de 16 anos, fruto de seu segundo matrimônio, com a ex-modelo Heather Mills – e tem oito netos. Quatro são de sua filha mais velha Mary, com idades entre 8 e 20 anos, e os outros quatro de sua filha Stella, uma conhecida estilista de moda, com idades entre 9 e 14 anos. O ex-Beatle é um avô participativo que, além de jogar futebol, ver televisão e ouvir música com os netos, gosta de ir apanhá-los no colégio. “Quando Nancy e eu estamos na Inglaterra nós gostamos de pegá-los e levá-los para tomar sorvete. Na verdade são eles que nos levam para tomar sorvete”, conta o músico, que reside nos Estados Unidos com a esposa.

Paul McCartney, na apresentação de seu livro infantil, em Londres, em setembro.
Paul McCartney, na apresentação de seu livro infantil, em Londres, em setembro.cordonpress

Admite que é mais fácil ser “uma pessoa normal” com seus netos que com seus filhos, e sempre tenta juntar todos para estarem em família. “Apesar dos meus trabalhos, quero passar as férias com eles. Em agosto e no Natal sempre nos reunimos.” Sobre sua última aventura literária, McCartney conta que não foi difícil, porque adora ler. “Não há necessidade de procurar rimas, por isso é um pouco mais fácil do que escrever uma canção […]. Meus pais nunca me leram histórias, mas eu assim que pude fiz isso para os meus filhos dormirem. Era um ritual.”

Escrever este conto infantil, que inclui um disco onde ele mesmo narra a história, não foi o último desafio que o músico enfrentou. Aos 77 anos, continua atuando em turnês nas quais interpreta canções da carreira solo e dos Beatles. Seu álbum mais recente, Egypt Station, alcançou o número um nas paradas dos Estados Unidos. Nos últimos tempos, McCartney experimentou vários formatos musicais, colaborou com artistas como Neil Young e o rapper Kanye West, e até apareceu na saga cinematográfica Piratas do Caribe. Além disso, agora está trabalhando em adaptar pela primeira vez para o teatro musical A Felicidade Não se Compra, o célebre filme de Frank Capra lançado em 1946.

“É algo que nunca fiz, um novo terreno onde me destacar. Por sorte posso esperar estar preparado, a esta altura não vou ceder às pressões”, brincou, falando do novo projeto. Sua estreia está prevista para o final de 2020, e nele trabalharão juntos McCartney, que se encarregará de compor a música e as letras das canções, e o roteirista de Billy Elliot, Lee Hall, que ajudará o cantor de Liverpool a elaborar as letras e desenvolverá o roteiro do musical.