Operação Lava Jato

Operação Lava Jato mira gerentes do Banco do Brasil suspeitos de lavagem de 200 milhões de reais

Em nova fase da investigação, PF cumpriu mandados de busca e apreensão em São Paulo e Natal

(Agência Brasil)

Em meio ao debate no Supremo que pode anular 32 sentenças de 143 réus condenados, a Operação Lava Jato voltou à ação nesta sexta-feira. A 66ª fase teve como alvo três gerentes e um ex-funcionário do Banco do Brasil suspeitos de terem participado de esquemas de lavagem de 200 milhões de reais em propinas da Petrobras entre 2011 e 2014.

Na manhã desta sexta-feira, a Polícia Federal cumpriu oito mandados de busca e apreensão em São Paulo e Natal. A operação foi batizada de Alerta Mínimo, em referência à falha no alerta de operações atípicas do sistema interno do banco para o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). Esses alertas passaram a ser encerrados, mediante a apresentação de justificativas pelos gerentes de agência, como se não houvesse indícios de lavagem de dinheiro.

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“O montante total ilícito movimentado pelos investigados, por meio da realização de transferências bancárias a partir de contas mantidas pela organização criminosa, superou a quantia de 200 milhões de reais. Parte significativa do valor foi convertida em espécie para posterior utilização no pagamento de propinas por empreiteiras que praticaram corrupção contra a Petrobras”, informou o Ministério Público Federal (MPF) por meio de nota.

Reportagem do EL PAÍS, publicada no mês passado em parceria com o The Intercept, retratou a suspeita de que bancos participaram de esquemas de corrupção investigados pela Lava Jato. Trocas de mensagens no Telegram mostram que passaram pelas mãos dos procuradores da operação suspeitas de crimes graves cometidos pelo setor bancário, que teria lucrado com o silêncio sobre movimentações atípicas e até mesmo com o uso de informações privilegiadas do Banco Central. No entanto, a força-tarefa optou, desde o princípio, por buscar acordos com essas instituições.

Segundo a Polícia Federal nesta sexta-feira, documentos entregues por colaboradores indicam que doleiros e funcionários do Banco do Brasil teriam atuado em benefício de empresas clientes da Petrobras, que necessitavam de dinheiro em espécie para o pagamento propinas a agentes públicos. Um doleiro investigado teria sido responsável por produzir pelo menos 110 milhões de reais, em espécie, para viabilizar os pagamentos corruptos.

“A produção de dinheiro em espécie neste caso envolvia trocas de cheques obtidos junto ao comércio da grande São Paulo e abertura de contas sem documentação necessária ou com falsificação de assinaturas em nome de empresas do ramo imobiliário”, informou a PF em nota.

A investigação indica ainda que gerentes vinculados a três agências do Banco do Brasil, localizadas em São Paulo, eram pagos para burlar os mecanismos de prevenção de lavagem de dinheiro da instituição e ainda conseguiam vender produtos da agência para atingir metas. “A conduta indevida dos gerentes possibilitou que contas em nome de empresas de fachada controladas por organizações criminosas fossem abertas e operassem na instituição financeira por longo período, realizando centenas de operações de lavagem de dinheiro, inclusive depósitos e saques de valores expressivos em espécie”, disse o MPF.

Após a identificação do esquema ilícito, o Banco do Brasil realizou apurações sigilosas internas sobre as irregularidades e enviou aos investigadores outras provas da atuação de seus funcionários nas operações de lavagem de dinheiro.

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