_
_
_
_

Munir Baatur, o primeiro presidenciável abertamente gay no mundo árabe

Defensor dos direitos LGBTI, Munir Baatur se candidata ao cargo, apesar de no país a homossexualidade ser crime punido com prisão

Munir Batur em seu escritório.
Munir Batur em seu escritório.Ricard González

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo

¿Quieres añadir otro usuario a tu suscripción?

Si continúas leyendo en este dispositivo, no se podrá leer en el otro.

¿Por qué estás viendo esto?

Flecha

Tu suscripción se está usando en otro dispositivo y solo puedes acceder a EL PAÍS desde un dispositivo a la vez.

Si quieres compartir tu cuenta, cambia tu suscripción a la modalidad Premium, así podrás añadir otro usuario. Cada uno accederá con su propia cuenta de email, lo que os permitirá personalizar vuestra experiencia en EL PAÍS.

En el caso de no saber quién está usando tu cuenta, te recomendamos cambiar tu contraseña aquí.

Si decides continuar compartiendo tu cuenta, este mensaje se mostrará en tu dispositivo y en el de la otra persona que está usando tu cuenta de forma indefinida, afectando a tu experiencia de lectura. Puedes consultar aquí los términos y condiciones de la suscripción digital.

Ninguém pode questionar a coragem de Munir Baatur, um dos mais notáveis defensores da causa LGBTI na Tunísia. Aos 48 anos, este advogado não só se tornou o primeiro candidato abertamente gay à presidência de uma nação árabe, mas também deu o passo em um país com uma lei em vigor que pune as práticas homossexuais com até três anos de prisão. Apesar disso, as organizações de defesa dos direitos da comunidade LGBTI são legais desde a revolução de 2011, e Baatur é o líder da Shams, uma das mais conhecidas.

Mas Baatur não quer fazer de sua homossexualidade uma bandeira. Isso é o que ele garante. “Minha orientação sexual não é um assunto relevante. Não perguntam sobre isso aos outros candidatos. Não me incomoda que a mídia mencione isso, mas eu me vejo como o simples candidato de um partido”, diz, em referência ao Partido Liberal Tunisiano, a legenda quase desconhecida que ele preside. Criado em 2011, entre suas prioridades estão a defesa dos direitos das minorias e uma separação estrita entre religião e política na esfera pública.

Mais informações
PM foi deslocada para monitorar pedido de casamento feito por soldado gay
“Estou fazendo hora extra no mundo”: o inesperado cotidiano da velhice trans
A amazônica que luta por florestas e direitos LGBT

Ao ser questionado sobre seu programa para as eleições presidenciais de novembro, Baatur situa no centro da agenda política a busca de fórmulas inovadoras para relançar a economia, como a regularização da economia informal, cujo peso varia entre 15% e 40% do PIB nacional. E também não esquece as medidas relacionadas à comunidade gay: “Em primeiro lugar, a abolição do artigo 230, que criminaliza a homossexualidade. E que se inclua a agravante da violência contra os homossexuais e o direito dos transexuais de mudar seu estado civil legalmente, sem a necessidade de se operarem”. O ativista afirma ter mais de 10.000 assinaturas para cadastrar a candidatura quando o período de inscrição for aberto.

Sua participação nas eleições estava no ar até a semana passada. O Parlamento aprovou em junho uma série de emendas à lei eleitoral que incluía como condição para os candidatos a apresentação de um registro criminal imaculado. Baatur passou três meses na prisão, condenado por ser gay. No entanto, o presidente Beji Caid Essebsi se recusou a assinar a lei, que também proíbe os partidos de realizar atividades beneficentes, o que provocou uma crise constitucional. Faltando menos de três meses para eleições legislativas e quatro meses para as presidenciais, ainda não está totalmente claro quais requisitos os candidatos devem cumprir para se apresentar.

Depois da queda da asfixiante ditadura de Ben Ali, nas praças públicas da Tunísia começaram a ser discutidas muitas questões que antes eram tabu, incluindo a homossexualidade. Isso foi possível, acima de tudo, graças ao ativismo de várias organizações LGBTI, mas a aplicação das leis não foi relaxada. “A situação é catastrófica. A tendência é que as prisões se multipliquem. No ano passado, houve 130”, denuncia Baatur, um homem corpulento.

Embora os tunisianos, e especialmente suas autoridades, gostem de projetar uma imagem de um país aberto e tolerante, na questão dos direitos das minorias sexuais a mentalidade permanece ancorada em uma visão muito conservadora. Segundo uma pesquisa recente da BBC em vários países árabes, apenas 7% dos tunisianos veem a homossexualidade como "aceitável", um porcentual significativamente inferior ao de outros países considerados menos progressistas, como Argélia (26%), Marrocos (21%) e Sudão (17%).

Apesar desses dados, Baatur vai pedir ao futuro Parlamento que descriminalize a homossexualidade, e compara a situação com a existente na década de 1950, quando a poligamia foi banida: “A sociedade tunisiana se adaptará à mudança, como aconteceu na época, quando uma maioria era conservadora e estava contra aquela mudança radical”. Outra forma possível de abolir o artigo 230, incluído no código penal pelos colonizadores franceses, seria mediante uma decisão do Tribunal Constitucional que o declarasse contrário à Carta Magna. No entanto, cinco anos após a sua aprovação, o Supremo Tribunal ainda não foi criado porque os partidos políticos não entraram em acordo sobre a identidade de seus magistrados.

Nem Baatur nem sua organização despertam muitas simpatias entre uma parte da comunidade LGBTI da Tunísia, a tal ponto que várias ONGs que defendem seus direitos assinaram um manifesto em que se posicionam contra sua candidatura. Entre outras coisas, elas o acusam de “numerosas violações da vida privada, como a publicação de informações pessoais de indivíduos LGBTQI + sem o seu consentimento, com o único propósito de atrair a atenção da mídia”. Diante de tal panorama de divisões e rixas, as expectativas eleitorais de Baatur não são muito promissoras.

Mais informações

Arquivado Em

Recomendaciones EL PAÍS
Recomendaciones EL PAÍS
_
_