PT reforça tese de perseguição política de Moro ao ex-presidente Lula

Partido atua em frente institucional e na estratégia da defesa para reafirmar a inocência do ex-mandatário, preso em Curitiba, após reveladas mensagens entre ex-juiz da Lava Jato e Dallagnol

Apoiadores do ex-presidente Lula protestam nesta segunda-feira contra Sergio Moro em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília.
Apoiadores do ex-presidente Lula protestam nesta segunda-feira contra Sergio Moro em frente ao Ministério da Justiça, em Brasília.ADRIANO MACHADO (REUTERS)

De acusado a acusador, o Partido dos Trabalhadores (PT) prepara uma ofensiva na Justiça para questionar os métodos da operação Lava Jato e reafirmar a inocência do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, após a veiculação de uma série de reportagens publicadas pelo site The Intercept Brasil. Em nota, o advogado Cristiano Zanin Martins afirmou que o teor das conversas entre o ministro Sergio Moro (Justiça) e o procurador Deltan Dallagnol, revelados pela reportagem, reafirmam argumentos já utilizados pela defesa desde o início do processo. “Em diversos recursos e em comunicado formalizado perante o Comitê de Direitos Humanos da ONU em julho de 2016 demonstramos, com inúmeras provas, que na Operação Lava Jato houve uma atuação combinada entre os procuradores e o ex-juiz Sergio Moro com o objetivo pré-estabelecido e com clara motivação política de processar, condenar e retirar a liberdade do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva”, diz a nota. “A reportagem publicada pelo portal The Intercept revela detalhes dessa trama que foi afirmada em todas as peças que subscrevemos na condição de advogados de Lula”, completou.

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Zanin se reúne nesta segunda para traçar a estratégia da defesa que levará, nesta terça-feira, até a superintendência da Polícia Federal, em Curitiba, onde Lula está preso desde abril do ano passado, para consultá-lo sobre a tática proposta a partir de agora. No Twitter, o advogado do petista deu a primeira pista de qual deverá ser a linha da atuação a partir de agora. Recorreu ao artigo 254 do Código Penal para indicar que se o juiz do caso tiver “aconselhado qualquer das partes” envolvidas no processo, ele poderá ser recusado, tanto pela defesa, quanto pela acusação. O advogado ainda sustenta que os processos contra Lula estão “corrompidos” e pede pela liberdade “urgente” do ex-presidente, mas não menciona anulação do processo.

Alinhada com o advogado de Lula, a presidenta do PT, deputada Gleisi Hoffmann, também usou sua conta no Twitter para dizer que as reportagens publicadas no domingo revelam “as provas do que sempre denunciamos: Moro e Dallagnol atuaram combinados, com parcialidade e motivações políticas, para impedir a vitória eleitoral de Lula e do PT”. Ela, entretanto, pede a anulação do processo contra o ex-mandatário.

Enquanto os advogados traçam o plano de defesa, as lideranças e os parlamentares petistas estudam as medidas institucionais que serão tomadas pelo partido. Na tarde desta segunda-feira, os deputados e senadores se reúnem em Brasília para alinhar uma estratégia coletiva. “Queremos evitar iniciativas individuais”, afirmou Paulo Pimenta (PT-RS). Ele não revelou quais medidas a bancada petista deve tomar, mas cogitou a instalação de uma CPI e da convocação de Sergio Moro para prestar esclarecimentos à Câmara. Faz parte do plano também convocar os presidentes dos partidos mais próximos ao PT para uma reunião, que deve ocorrer nesta terça-feira em Brasília.

Além do caso do triplex, no tabuleiro do caso do ex-presidente Lula nenhuma peça se move sozinha. Na semana passada, o Ministério Público Federal (MPF) indicou que Lula já pode ter progressão de pena e partir para o regime semiaberto. A decisão, contudo, é do Superior Tribunal de Justiça (STJ) e não há perspectiva de quando será julgada. Dois dias após a indicação do MPF, porém, a Justiça autorizou o início de mais um processo contra o ex-presidente, tornando-o réu em sua décima ação desde 2016. Segundo a acusação em primeira instância, Lula teria recebido propinas da Odebrecht em troca de benefícios para a construtora no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).

A reportagem do The Intercept Brasiltambém joga luz à movimentação da Justiça brasileira para manter o ex-mandatário preso. E revela que parte das mensagens foi trocada no auge do processo de impeachment da ex-presidenta Dilma Rousseff. Em uma delas, Dallagnol parabeniza Moro pelo “imenso apoio público” em um dia de manifestação pelo impedimento da então presidenta. “Fiz uma manifestação oficial. Parabéns a todos nós”, respondeu Moro.

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