ESPORTE CLUBE BAHIA

Um gol a favor da demarcação de terras indígenas

Bahia homenageia índios e apoia reivindicação por território em nova ação afirmativa

O Esporte Clube Bahia criou um núcleo de ações afirmativas, incumbido de abraçar causas sociais além dos gramados. Depois de reverenciar personalidades negras, protestar contra a intolerância religiosa e levantar a bandeira LGBT, o clube agora prepara homenagens aos povos indígenas na semana do Dia do Índio (19 de abril). Nesta terça-feira, a equipe baiana lançou a campanha “Não tem jogo sem demarcação”, em que se posiciona favorável à urgência de reconhecimento das terras indígenas.

Em um vídeo que conta com a participação de 12 representantes pataxós, o Bahia divulga a hashtag #DemarcaçãoJá após exibir uma mensagem contundente em apoio à reivindicação dos índios: “Nossa partida é a nossa luta. Nossas vidas estão em disputa. É preciso cumprir a regra. Sem demarcação, não tem jogo”. O clube vai estampar as camisas dos jogadores com nomes de indígenas nos jogos contra Londrina, pela Copa do Brasil, e Bahia de Feira, pela final do Campeonato Baiano. Ambas as partidas serão realizadas na Fonte Nova, em Salvador. Uma tribo de pataxós já havia entrado em campo com o time e visitado o estádio no jogo diante do Atlético-PR, pelo Brasileirão 2018.

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Entre os homenageados estão lideranças históricas, como Crispim de Leão, cacique da tribo Sateré-Mawé que morreu em combate durante a revolta da Cabanagem, no século XIX, Galdino Pataxó, assassinado em Brasília no fim dos anos 90, e Mário Juruna, cacique xavante que se tornou o primeiro deputado federal indígena do país, além de referências atuais, a exemplo de Sônia Guajajara, coordenadora da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (APIB) e candidata a vice-presidente na chapa encabeçada por Guilherme Boulos, do PSOL. O ex-jogador Mané Garrincha também será lembrado, já que era descendente dos índios fulniôs, de origem pernambucana, porém radicados em Alagoas.

Estado com a maior população indígena do Nordeste, a Bahia tem sido palco de violentos conflitos por terra nos últimos anos e sofre com a lentidão dos processos de demarcação. Algumas ações de ampliação de reserva e reintegração de posse tramitam há quase duas décadas. Em novembro do ano passado, 490 famílias da etnia tuxá foram ordenadas a desocupar uma área tradicionalmente habitada pela comunidade – o Tribunal de Justiça do Estado suspendeu a liminar até o julgamento da ação.

No início deste ano, o cacique Babau, líder das aldeias tupinambás localizadas no sul da Bahia, denunciou às autoridades um suposto plano de fazendeiros e policiais para assassinar índios na região. O território da tribo já foi reconhecido e demarcado pela Funai, mas ainda aguarda homologação pela Justiça. Babau será um dos homenageados pelo clube tricolor nesta quinta-feira.

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