Paulo Preto, operador financeiro ligado ao PSDB, é preso pela terceira vez em SP

60º fase da Operação Lava Jato também faz buscas em endereço ligado ao ex-chanceler Aloysio Nunes

O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto
O ex-diretor da Dersa Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo PretoGERALDO MAGELA (AGÊNCIA SENADO)

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Agentes da Polícia Federal prenderam na manhã desta terça-feira o ex-diretor da empresa paulista de Desenvolvimento Rodoviário (Dersa) Paulo Vieira de Souza, conhecido como Paulo Preto. Operador financeiro ligado ao PSDB, Paulo Preto já havia sido preso em decorrência de outros processos e usava uma tornozeleira. A PF também cumpre, nesta que é a 60ª fase da Operação Lava Jato, 12 mandados de busca e apreensão em endereços ligados ao ex-diretor e também a Aloysio Nunes Ferreira Filho, ex-chanceler do Governo Temer. A prisão do operador neste momento é estratégica porque ele completa 70 anos no dia 7 de março e, de acordo com o Código Penal, após esta idade, os prazos de prescrição dos crimes caem pela metade.

De acordo com o Ministério Público Federal no Paraná, a operação aprofunda a investigação de um complexo esquema de lavagem de dinheiro de corrupção praticada pela construtora Odebrecht, que envolveu além de Paulo Preto, os operadores Rodrigo Tacla Duran, Adir Assad e Álvaro Novis, que mantiveram relações pelo menos entre 2007 e 2017. As transações investigadas superam 130 milhões de reais e correspondiam ao saldo de contas controladas por Paulo Preto na Suíça no início de 2017.

Na Lava Jato em São Paulo, Paulo Preto é réu em duas ações penais envolvendo as obras do Rodoanel Sul e do Sistema Viário de São Paulo. A ação que estava mais adiantada é a de peculato (desvio de dinheiro público), que se encontrava em fase de alegações finais, quando foi anulada por uma liminar em habeas corpus concedida pelo ministro do Supremo Tribunal Federal Gilmar Mendes no último dia 13. A segunda ação é a de crime de cartel no Rodoanel Sul e Sistema Viário de São Paulo, que está na fase de testemunhas de defesa. Uma das testemunhas arroladas por Paulo Preto é o ex-chanceler Aloysio Nunes.

O esquema criminoso

Ainda segundo o MPF no Paraná, as provas colhidas ao longo da investigação indicam que Paulo Preto disponibilizou, a partir do segundo semestre de 2010, 100 milhões de reais em espécie a Adir Assad no Brasil. Este, por sua vez, entregou os valores ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht, aos cuidados do doleiro Álvaro Novis. O doleiro realizava pagamentos de propinas, a mando da empresa, para vários agentes públicos e políticos, inclusive da Petrobras.

No mesmo período que se seguiu à entrega dos valores em espécie por Paulo Preto para a Odebrecht, propinas foram pagas pela empreiteira, em espécie, para os seguintes gerentes e diretores da Petrobras: Djalma Rodrigues, Maurício Guedes, Roberto Gonçalves, Paulo Roberto Costa, Pedro Barusco e Sérgio Machado.

Em contraprestação à entrega de valores em espécie por Paulo Preto e Adir Assad ao Setor de Operações Estruturadas da Odebrecht no Brasil, esse setor transferiu dezenas de milhões de dólares para as contas do doleiro Rodrigo Tacla Duran no exterior. Este último operador, depois de descontar as suas comissões e as de Adir Assad, devidas pela lavagem do dinheiro, ficava incumbido de fazer chegar às contas de Paulo Preto os recursos a ele devidos.

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