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Assembleia venezuelana rejeita todo o diálogo com Governo de Maduro que “prolongue o sofrimento”

"O único objetivo é o fim da usurpação, um Governo de transição e eleições livres”, afirmou o líder do Parlamento e presidente interino do país, Juan Guaidó

Às vésperas da reunião de um grupo de países, incluindo vários Governos da União Europeia e México, nesta quinta-feira em Montevidéu, para buscar soluções políticas para a crise na Venezuela, a Assembleia Nacional aprovou uma resolução rejeitando "todo diálogo ou grupo de contato que prolongue o sofrimento do povo ", segundo anunciou no Twitter seu presidente, Juan Guaidó. O Legislativo também expressou agradecimento ao Grupo de Lima, que reafirmou seu apoio a Guaidó na segunda-feira em Ottawa, e aos países europeus que o reconhecem como presidente interino.

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A Assembleia Nacional nesta terça-feira, em Caracas. EFE

"Ponto aprovado! Acordo que agradece ao Grupo de Lima e os países da Europa por seu apoio, bem como rejeita qualquer diálogo ou grupo de contato que prolongue o sofrimento do povo. Único objetivo: cessação da usurpação, governo de transição e eleições livres. # SesiónAN”, tuitou Guaidó sobre a sessão da Assembleia, declarada em desacato pelo Governo de Nicolás Maduro e permanentemente perseguida pelo chavismo.

Antes, o deputado Miguel Pizarro, presidente da comissão especial responsável por monitorar a ajuda humanitária que chegará à Venezuela, numa iniciativa de Guaidó, com o apoio dos EUA e da Colômbia, falou dos embarques, que serão feitos através da Colômbia, Brasil e uma ilha no Caribe. "Não queremos que a ajuda humanitária seja motivo de confronto (...) Não vamos discriminar a ajuda por cores políticas, não vamos partidarizar a ajuda, não se trata de conversa fiada para que nos aplaudam, mas de realmente ajudar as crianças, mulheres grávidas, idosos, pacientes", esclareceu Pizarro, líder do partido Primeiro Justiça.

A declaração de intenções é importante porque tenta desmontar a retórica do partido no poder. O líder chavista, Nicolás Maduro, descreve a chegada da ajuda como "agressão" da Administração de Donald Trump, que se envolveu nesta primeira remessa por intermédio da agência de cooperação norte-americana USAID.

Maduro sempre se recusou a aceitar o apoio de países críticos de seu Governo, apesar do fracasso estrutural da economia do país e da escassez crônica de produtos básicos. "A Venezuela não é um país de mendigos", chegou a dizer. Embora recorra com frequência aos Governos da Rússia, China e Turquia em busca de liquidez, aceitar agora a ajuda aprovada após a autoproclamação de Juan Guaidó como presidente interino seria a admissão mais evidente do fracasso de sua gestão. É por isso que os governistas querem evitar recebê-la, vinculando-a à especulação sobre uma invasão militar.

Pizarro disse nesta terça-feira que "a ajuda humanitária não é uma esmola, é uma necessidade urgente" e lembrou que esta é uma reivindicação que a oposição vem fazendo ao Governo há anos. Sua chegada nunca esteve tão próxima, mas a reação das Forças Armadas na cidade de Cúcuta, principal localidade de fronteira entre a Colômbia e a Venezuela, ainda é uma incógnita.

Coordenação

Simular que não há crise só beneficia aqueles que provocaram esta crise, na opinião da oposição, que reconhece, porém, que este é apenas um primeiro passo insuficiente para resolver a escassez. Por enquanto, chegarão medicamentos e suplementos nutricionais necessários para o atendimento primordial de crianças, idosos e pessoas em situação de vulnerabilidade. Um panorama que os militares constatam diariamente. "Vocês sabem que há uma linha vermelha, sabem bem que há um limite, sabem que medicamentos, alimentos e suprimentos médicos são essa linha vermelha", disse o presidente da comissão.

O Parlamento se encarregará da coordenação, mas não pretende se tornar uma instituição humanitária, por isso tentará capacitar entidades, redes de voluntários e igrejas. A Cáritas, por exemplo, já anunciou que se juntará à iniciativa, sob a condição de que "se atenha aos princípios de respeito aos direitos humanos".

A chegada da ajuda humanitária tem uma função fundamental. Colocar os funcionários públicos encarregados de recebê-la ou rejeitá-la diante de um dilema. Se as caixas cruzam a fronteira, sua autoridade ficaria abalada. Em qualquer caso, a remessa refletirá o fiasco do seu trabalho.

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