Argentina

Estupro coletivo de uma menor choca a Argentina

Cinco homens foram presos por agressão sexual a jovem de 14 anos durante celebrações do Ano Novo

Um dos detidos (esquerda) pela suposta violação de uma menor é conduzido aos tribunais de Mar del Prata, na província de Buenos Aires
Um dos detidos (esquerda) pela suposta violação de uma menor é conduzido aos tribunais de Mar del Prata, na província de Buenos Aires (Telam)

Um grupo de cinco homens supostamente estuprou uma adolescente de 14 anos durante as comemorações do Ano Novo na Argentina. Os cinco suspeitos estão presos, acusados de “acesso carnal agravado”, crime sujeito a penas entre oito e vinte anos de prisão. Segundo a denúncia, o estupro coletivo aconteceu em uma barraca em um camping da cidade litorânea de Miramar, na província de Buenos Aires.

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A família da vítima havia alugado um chalé para passar as festas natalinas no camping. Na madrugada de 1º de janeiro, os pais se preocuparam com a ausência da filha e foram procurá-la. A mãe a encontrou em uma barraca com os cinco acusados, com idades entre 21 e 23 anos. Estava alcoolizada e disse que tinha sido estuprada.

O pai chamou a polícia e a família apresentou uma queixa imediatamente. A promotora mandou preservar a cena do crime, confiscar os elementos de interesse para investigação e transferir os presos para que fossem submetidos a exames médicos. Mas a polícia demorou a agir, razão pela qual o subcomissário responsável pelo caso, Andrés Caballero, foi substituído. As autoridades Buenos Aires, administrada pela coalizão governista Cambiemos, “não quererem rodeios com a questão da violência de gênero, querem que se trabalhe rapidamente; foi clara a mensagem a todos os comandantes há dois meses”, argumentaram funcionários do Ministério da Segurança sobre a decisão de substituir o subcomissário.

O caso chocou a Argentina e foi comparado com o do grupo La Manada, a agressão sexual a uma jovem madrilenha de 19 anos durante as festas de San Fermín, na cidade espanhola de Pamplona. Como os cinco condenados na Espanha, os acusados argentinos eram amigos e haviam chegado juntos ao camping El Durazno para comemorar a passagem de ano. São eles Lucas Leonel Pitman (de 21 anos), Tomás Agustín Jaime (de 23), Juan Cruz Villalba (de 23), Mariano Manuel Díaz (de 23) e Roberto Fabián Costa (de 21). Jovens de classe média e oriundos da cidade de Mar del Plata, a 50 quilômetros de Miramar, vários deles se conheciam por praticarem surf e rúgbi, segundo a imprensa local.

A barraca onde ocorreu o suposto estupro foi retirada do local e está nas mãos da Justiça como prova do caso. As roupas da adolescente e dos acusados também serão analisadas por um laboratório forense.

O nome da vítima é mantido em segredo e também a maioria dos detalhes da investigação. Há pouco mais de um ano, a província de Buenos Aires foi cenário de um caso que provocou grande indignação, a morte da adolescente Lucía Pérez, e a promotora do caso quer se diferenciar do trabalho de seu colega. Naquela ocasião, o Ministério Público anunciou em conferência de imprensa que Pérez, de 16 anos, tinha sido drogada, estuprada por vários homens e morta por empalamento. Em novembro, os juízes negaram essa versão. De acordo com a polêmica decisão, que já foi objeto de recurso, Pérez morreu de uma overdose e não foi estuprada, mas manteve relações sexuais consensuais.

Os cinco acusados prestaram depoimento nesta quarta-feira ao juiz e nos próximos dias a vítima deporá em uma câmara de Gesell, um dispositivo que permite preservar o anonimato do depoente. Também prestarão depoimento outras pessoas que estavam acampando no lugar.

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