Operação Ross da PF

Imóveis de Aécio Neves e Paulinho da Força são alvos de ação da Polícia Federal

O senador tucano é suspeito de receber propina de quase 110 milhões de reais do grupo J&F. Também são investigados Antônio Anastasia, Agripino Maia, Cristiane Brasil e Benito da Gama

Aécio Neves se defende das acusações de ter recebido propina da Odebrecht, em dezembro de 2017
Aécio Neves se defende das acusações de ter recebido propina da Odebrecht, em dezembro de 2017Wilson Dias/Agência Brasil

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A Polícia Federal cumpre, na manhã desta terça-feira, mandados de busca e apreensão em imóveis do senador Aécio Neves (PSDB-MG) e do deputado federal Paulinho da Força (SD-SP), em uma ação batizada de Operação Ross. Os senadores Antonio Anastasia (PSDB-MG) e Agripino Maia (DEM-RN) e os deputados Cristiane Brasil (PTB-RJ) e Benito da Gama (PTB-BA) também são alvos da investigação, que apura os crimes de corrupção passiva, organização criminosa, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

De acordo com a PF, a operação tem como objetivo investigar o recebimento de vantagens indevidas do grupo J&F por parte dos parlamentares entre os anos de 2014 e 2017. De acordo com o portal G1, os executivos do grupo J&F relataram repasse de propina de quase 110 milhões de reais a Aécio Neves. Suspeita-se que os valores eram recebidos através da simulação de serviços que não eram efetivamente prestados e para os quais eram emitidas notas fiscais frias.

Ainda de acordo com a PF, a operação desta terça-feira envolve cerca de 200 policiais federais, que cumprem 24 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal, e realizam 48 intimações para depoimentos. As medidas estão sendo cumpridas no Distrito Federal e nos Estados de Minas Gerais, São Paulo, Rio de Janeiro, Bahia, Rio Grande do Norte, Mato Grosso do Sul, Tocantins, e Amapá.

O nome da operação é de um explorador britânico que dá nome à maior plataforma de gelo do mundo, localizada na Antártida, fazendo alusão às notas fiscais frias que estão sob investigação.

As defesas

Ainda de acordo com o portal G1, o advogado de Aécio Neves Alberto Zacharias Toron emitiu uma nota em que afirma que  seu cliente "sempre esteve à disposição para prestar todos os esclarecimentos necessários que mostrarão a absoluta correção de todos os seus atos [...] É preciso que se esclareça que os recursos referidos pelos delatores da JBS agora como propina são as contribuições eleitorais feitas à campanha do PSDB em 2014 e devidamente registradas na Justiça Eleitoral [...] Somam-se a esses valores contribuições legais feitas a outros partidos políticos. A medida é, portanto, desnecessária já que o senador é o maior interessado no esclarecimento de todos os fatos".

O G1 também tentou contatar a defesa de Cristiane Brasil, mas não obteve retorno.

Já o deputado Paulinho da Força divulgou comunicado afirmando que "a delação da JBS foi desmoralizada publicamente e a fraude realizada pelos delatores foi comprovada com a prisão dos dois empresários pelo Superior Tribunal Federal (STF)". O parlamentar chamou de "absurda" a acusação de que o SD teria vendido apoio para a candidatura à Presidência de Aécio Neves, em 2014. "De qualquer forma, o deputado federal Paulinho da Força se colocou à disposição da justiça para prestar quaisquer esclarecimentos, desde que lhe seja facultado acesso ao processo previamente", diz o texto.