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Malafaia: “Guilherme Schelb não tem medo de tocar onde a esquerda se perpetuou na Educação”

Procurador cotado para o MEC de Bolsonaro é nome da bancada evangélica, que se rebelou contra a possível nomeação de moderado para o posto

Silas Malafaia fala sobre Guilherme Schelb
O pastor Silas Malafaia, em 2015.

O procurador Guilherme Schelb, um dos principais cotados para assumir o Ministério da Educação do futuro Governo Bolsonaro, conta com um forte cabo eleitoral: o líder da Assembleia de Deus Vitória em Cristo, Silas Malafaia. Embora diga que não sugeriu o nome de Schelb diretamente para Bolsonaro, Malafaia não poupa elogios ao possível ministro. Mais: Malafaia afirma que a expressiva maioria da bancada evangélica deve publicar um documento em favor do procurador. Schelb está na tarde desta quinta-feira na Granha do Torto, à espera de uma conversa com o presidente eleito.

O nome de Schelb surgiu depois do vazamento na imprensa da suposta intenção do presidente eleito de nomear para a pasta o diretor do Instituto Ayrton Senna, Mozart Neves Ramos. Com anos de atuação na área e com passagem pela prestigiosa organização Todos pela Educação, Mozart foi considerado um nome “de esquerda” por deputados evangélicos, que iniciaram nesta quarta um movimento para barrar o nome.

“Se o presidente [Bolsonaro] nomear ele [Schelb], vai ser um grande nome", disse Malafaia ao EL PAÍS. “Eu acho que o Guilherme Schelb é afinado ideologicamente com o que pensa o Bolsonaro. É um cara preparadíssimo e muito inteligente. Ele vem travando batalhas contra a 'ideologia de gênero' nas escolas, tem livros escritos sobre isso, instruindo os professores e os pais”, afirmou. Schelb vai ser um dos participantes do 1º Congresso Nacional do Ministério Público Pró-Sociedade, um evento que reúne integrantes do MP alinhados à agenda da Escola de Sem Partido.

Malafaia disse ainda que conhece o procurador Schelb. “Eu conheço ele por causa das guerras contra a ideologia de gênero. Eu sou um cara que guerreio contra isso, sou um dos mais veementes. Então a gente acabou tendo atividades nessas guerras”.

P. Qual a sua opinião sobre o procurador Guilherme Schelb como possível nome para o Ministério da Educação?

R. Guilherme Schelb é afinado ideologicamente com o que pensa Bolsonaro. Um cara muito preparado e muito inteligente, que vem travando batalhas contra a "ideologia de gênero" na escola e tem livros escritos instruindo professores e pais. E é um cara corajoso, que não tem medo de tocar onde a esquerda se perpetuou na educação brasileira. Eu acho que se ele for [ministro], vai ser um grande nome.

P. E qual a opinião do senhor sobre a possibilidade do Mozart Neves para ministro da Educação, já que foi levantado ontem e teve uma reação da bancada evangélica?

R. Existem fabricações de nomes. O Bolsonaro nunca falou, ontem foi a Veja e a Folha que disseram. Tenho intimidade com o Bolsonaro e ontem, quando ele viu, falou: ‘Daqui a pouco vão dizer que eu vou nomear Jean Wyllys’. Ninguém vai nomear pela imprensa, com lobby. Ele tem falado: ‘Eu quero um cara para educação que tenha o perfil ideológico de acordo com o qual falei na campanha e que não tenha medo de enfrentar esquerdopata e a mídia’. Eu conheço o Guilherme Schelb e ele não tem medo da imprensa. Isso vai ser decisão do presidente, não minha. Acho que ele tem chance e, se for, o Bolsonaro vai acertar. Ele é muito inteligente e preparado.

P. Ele chegou a ser repreendido pelo Ministério Público por algumas posições dele. O que o senhor acha disso?

R. Ele foi repreendido porque é um cara que tem opinião e lá dentro do MP tem gente da esquerda. É um cara que se expôs, escreveu livros contra a ideologia de gênero e instruiu pais a como buscar na lei o seu direito para proteger a criança. Ele tem livros instruindo como o professor se defende se uma cidade quiser aprovar a ideologia de gênero. Tem gente que tem ódio disso, é lógico. É até bom, eu acho legal. Se ele foi repreendido pelo Ministério Público, é mais um sinal de que o Bolsonaro tá na rota certa, e que o cara é macho.

P. Qual a importância paro senhor de ter temas como a "ideologia de gênero" e a Escola Sem Partido no Ministério da Educação?

R. Existem a balela e o fato. Qual é o fato: vai nas universidades e tenta ter um discurso diferente da esquerda. As universidades estão controladas por PT, PSOL e PCdoB. Você não tem democracia para os dois lados. É professor comunista, ideologicamente de esquerda que querem botar na guela dos estudantes, controla a universidade e não tem debate democrático nenhum. Tem que limpar essa porcaria. Que "ideologia de gênero" uma ova... a própria Constituição diz que a educação é dos pais. O Brasil é signatário da Convenção Americana dos Direitos Humanos. E diz lá: a educação moral pertence aos pais, não à escola. É uma ideologia. O ECA proíbe mostrar nu para criança. Por quê? Porque que tem classificação indicativa na Constituição? Não estamos falando de cerceamento, estamos falando de classificação indicativa. Para proteger o pequeno cidadão. Então querer derrubar isso, vir com a conversa fiada de que a criança tem que saber, quem tem que saber são os pais. Então sou a favor disso, sim.

P. De onde o senhor conhece o procurador Schelb?

R. Eu conheço ele por causa das guerras contra "a ideologia de gênero". Sou um cara que guerreio contra isso há um tempão. Então acabamos tendo afinidade nessas guerras, de promover livros deles. Ele sempre batalhou nesse negócio contra cartilhas perversas, livros perversos, indução erótica.

P. O senhor que falou ontem com o Bolsonaro e que defendeu veementemente o Schelb como ministro da Educação...

R. Eu não defendi nada. Ele tava falando o seguinte, de brincadeira: ‘Tão nomeando gente no meu lugar’. Não teve nada de Guilherme Schelb.

P. Mas você defendeu bastante o Schelb aqui. Você chegou a sugerir o nome dele para o Bolsonaro?

R. Não. Isso não é da minha alçada. Cada um no seu quadrado. Eu apoiei o Bolsonaro para presidente, eu fiz o casamento dele, tenho bom relacionamento, mas aprendi a respeitar limites. Ele me falou, lá atrás, que tem que arrumar um cara macho, que não tenha medo de enfrentar e limpar o resquício de esquerda da educação brasileira. Isso ele falou para mim quando estava na eleição de 2º turno. Depois que foi eleito, falou de novo para mim. A indicação do Schelb é da Bancada Evangélica, ela que apoia o Schelb. Eu conheço ele.

P. O Schelb frequenta a igreja Comunidade das Nações, aqui em Brasília...

R. Isso, ele é mesmo.

P. Falaram do deputado Izalci [Lucas]...

R. Não, isso é conversa. Estou dizendo que estão nomeando pela imprensa. O Bolsonaro está rindo. Ele disse: ‘O pessoal está pensando que plantando nome na imprensa vai me pressionar. Eles não me conhecem. Ninguém vai me pressionar plantando nome da imprensa’.

P. O Izalci não é um nome da bancada evangélica, então?

R. Nada. Isso foi um ou dois deputados que falaram e usaram o nome da bancada evangélica. Ainda tomaram pau na bancada, porque tenho amigo influente na bancada evangélica. Que conversa é essa de falar que a bancada evangélica está apoiando um cara assim? Não estão apoiando nada. Ninguém deu nome para Bolsonaro. Eu estou te falando: vão fazer um documento com a maioria absolutíssima da bancada evangélica apoiando o Guilherme Schelb. Eu te garanto.

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