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Governo May prepara britânicos para um Brexit drástico

O executivo britânico indica que as transações bancárias com a Europa serão mais caras e reconhece que as aposentadorias no exterior estariam ameaçadas

O Governo britânico decidiu pisar o acelerador. Seja com o propósito de pressionar Bruxelas, de alertar a opinião pública sobre os problemas que um Brexit “na marra”, sem transição negociada, suporia ou de tentar tranquilizar as empresas, os mercados e os consumidores, o Executivo de Theresa May começou a publicar nesta quinta-feira as primeiras 25 de uma série de até 84 “notas técnicas” que especificam as consequências e prevenções a adotar em caso de uma saída abrupta da União Europeia. O ministro para el Brexit, Dominique Raab, assegurou que confia “que o resultado mais provável nas próximas semanas será um acordo negociado, mas o Reino Unido deve estar preparado para qualquer eventualidade”.

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O ministro britânico para o ‘Brexit’, Dominic Raab, em Bruxelas. REUTERS

Uma primeira leitura das notas técnicas revela mais problemas que soluções. Os cidadãos britânicos residentes no exterior enfrentariam a possibilidade de não perceberem suas aposentadorias de maneira ordenada, através do mecanismo de intercâmbio que existe hoje entre os países da UE; transações bancárias ou o uso de cartões de crédito se tornariam mais caros; ou as empresas que negociam com a Europa devem contratar mais funcionários, especialmente para lidar com tudo relacionado ao processo alfandegário, e se preparar para mais papelada e burocracia.

Se o objetivo das autoridades britânicas era tentar mostrar que tudo foi planejado e que não há motivo para os cidadãos ou empresas ficarem nervosos, o efeito imediato nas primeiras horas desta quinta-feira foi exatamente o oposto.

Os diferentes meios de comunicação do país destacaram imediatamente a cadeia de desvantagens que um Brexit unilateral produziria, os riscos para a economia dos britânicos que residem em qualquer país da União Europeia, a burocracia acumulada ou aumento de pessoal que as empresas que têm relações comerciais com o continente deveriam enfrentar.

Dominique Raab explorou em seu discurso desta quinta vários exemplos supostamente tranquilizadores, diante das notícias e rumores de que nas últimas semanas falavam da possibilidade de uma escassez de medicamentos a partir do próximo 29 de março ou da falta de produtos em supermercados de todo o país. “Embora em uma saída não-negociada da União, o Reino Unido deixaria de pertencer à agência reguladora de medicamentos", explicou o ministro, "validaríamos desde o primeiro momento todos os testes e aprovações de fármacos realizados na UE. Estamos confiantes de que Bruxelas fará o mesmo com nossos medicamentos”.

Raab destacou em várias ocasiões a boa fé que o Reino Unido espera de Bruxelas no caso de um cenário sem acordo. "Alguém acha que os empresários europeus gostariam de parar de vender seus produtos para supermercados ingleses?", perguntou ele, retoricamente.

O ministro Raab insistiu que se intensificaram as negociações com seu colega Michel Barnier, retomadas na semana passada, e que ambos estão confiantes de que elas se concretizarão. O prazo acaba em outubro, quando o próximo Conselho Europeu estiver agendado. Assim, os parlamentos de Londres e Estrasburgo teriam tempo para aprovar um acordo hipotético antes da data final do Brexit, em 29 de março de 2019.

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