Corrupção na CBF

“Marin é um câncer que corrompeu o esporte”, diz juíza ao condenar cartola nos EUA

Ex-presidente da CBF pegou quatro anos de prisão e terá que pagar multa de 4,5 milhões dólares por crimes cometidos na época em que comandava a Confederação

José Maria Marin antes do julgamento nesta quarta-feira, 22 de agosto.
José Maria Marin antes do julgamento nesta quarta-feira, 22 de agosto.Don Emmert (AFP)

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O ex-presidente da CBF José Maria Marin, 86 anos, foi condenado nesta quarta-feira, 22, em Nova York, a quatro anos de prisão, pagamento de multa de 1,2 milhão de dólares e confisco de 3,3 milhões de dólares em bens pelos crimes cometidos na época em que presidia a Confederação Brasileira de Futebol (CBF), entre 2012 e 2015. A sentença teve como autora a juíza Pamela Chen, da Corte Federal do Brooklyn, localizada no Distrito Leste de Nova York. Durante o anúncio da pena, Chen acusou Marin de ser "um câncer" que corrompeu o esporte no Brasil e no mundo e que ele "poderia ter dito não, mas em vez disso estendeu a mão e se uniu ao jogo", referindo-se ao esquema de propinas do qual o cartola foi acusado.

José Maria Marin foi detido com outros dirigentes da FIFA em maio de 2015, em um hotel em Zurique, na Suíça, sob ordem da justiça americana. O ex-presidente ficou cinco meses em uma prisão suíça antes de ser extraditado aos Estados Unidos. Marin ainda passou dois anos em prisão domiciliar em Nova York, até ser condenado e imediatamente preso em dezembro de 2017, na Corte Federal do Brooklyn, por crimes cometidos entre os anos de 2012 e 2015 e relacionados a contratos da Copa Libertadores da América, Copa do Brasil e Copa América. Entre os crimes estão organização criminosa, fraude bancária e lavagem de dinheiro. Dos quatro anos de sentença, 13 meses já foram cumpridos pelo dirigente, que está detido na penitenciária do Brooklyn desde dezembro.

A justiça dos Estados Unidos também denunciou Ricardo Teixeira e Marco Polo Del Nero, ex-presidentes da CBF, pelos mesmos crimes cometidos por José Maria Marin. No entanto, ao contrário de Marin, Del Nero e Teixeira não serão julgados em Nova York porque o Brasil, por lei, não extradita seus cidadãos.