Como produzir 16 séries ao mesmo tempo e não morrer tentando

Greg Berlanti, roteirista das séries de super-heróis da DC, sempre colocou em suas histórias mensagens de inclusão de representação

Greg Berlanti (esquerda) e o diretor de fotografia Andrew Dunn na filmagem de ' Juntos Pelo Acaso'. / VÍDEO: Cinco séries de Berlanti.Cordon Press / EPVundefined

Greg Berlanti poderia ser seu próprio canal de televisão. Produz tantas séries que transmitiria uma nova quase a cada hora do dia. A maioria seria de aventuras de super-heróis, certo, mas também existiria espaço para dramas adolescentes (Riverdale, All American), românticas (You), procedimentais (Deception, Blindspot), comédias religiosas (God Friended Me) e até bruxaria (Sabrina). Esse superprodutor está envolvido em 16 séries da nova temporada. Ele tem a confiança de canais abertos, a cabo e também plataformas como a Netflix e DC Universe, exclusiva dos quadrinhos da editora. E mais, até lhe sobra tempo para dirigir um filme tão pessoal como Com Amor, Simon, comédia romântica sobre a saída do armário de um adolescente. Conte o que contar, ainda assim, sua trajetória envia uma importante mensagem em sua vida: a inclusão e normalização do coletivo LGTBI.

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Origens

Todas as séries produzidas por Berlanti acabam com a imagem de uma família diante da tevê e um grito: “Greg, abaixe a cabeça!”. É a homenagem do produtor nascido em 1972 a seu pai e à infância familiar que passou em Rye, Nova York, encharcando-se de televisão e quadrinhos. Seu primeiro trabalho televisivo foi em Dawson’s Creek, série que em 2000 mostrou o primeiro beijo entre homens em prime-time. Nesse mesmo ano, Berlanti apresentou em Sundance sua obra-prima no cinema: O Clube dos Corações Partidos, sobre um grupo de jovens homossexuais.

Grandes sucessos

Sua primeira série como roteirista de fato foi a novela familiar Everwood: Uma Segunda Chance, que se manteve cinco anos no ar e forjou uma relação com a Warner ainda intacta. Também escreveu Jack & Bobby, Eli Stone e Animais Políticos, ainda que seu maior sucesso tenha nascido de seu maior revés. Após fracassar apresentando sua versão de Homem de Ferro à Marvel, a DC o contratou para escrever Lanterna Verde. Reescreveram seu trabalho e o filme foi um fracasso antológico, mas serviu para que um ano depois fosse o responsável por Arrow, série sobre o super-herói Arqueiro Verde. Após seis anos no ar, a série teve cinco derivadas: The Flash, Supergirl, Legends of Tomorrow, The Ray e Black Lightning. Juntas formam o Arrowverso, também conhecido como Berlantiverso.

Os super-heróis do 'Berlantiverso'
Os super-heróis do 'Berlantiverso'The CW

Sua conquista fundamental foi, entretanto, acabar com as barreiras pela integração. Suas séries contam com todos os tipos de identidade de gênero, orientação sexual e raça. Sem se esquecer, claro, que todos precisam ser bonitos. Em Brothers & Sisters escreveu o primeiro casamento homossexual da tevê; em Dirty Sexy Money deu o primeiro papel na tevê aberta a uma atriz transexual e, entre seus super-heróis, está prestes a apresentar a primeira super-heroína protagonista lésbica (Batwoman) e, em Supergirl, a primeira trans. Sua carreira, ainda assim, não está livre de polêmicas. Há alguns meses, Berlanti precisou assumir a função de principal responsável por The Flash quando seu sócio Andrew Kreisberg foi acusado de abuso sexual.

O que tem nas mãos

Ele enfrenta a temporada com o desafio de lançar uma plataforma dedicada aos quadrinhos DC. Lá criou Titãs, sobre um grupo liderado por Robin, a Patrulha do Destino e Stargirl. Enquanto isso sua equipe introduz a cidade de Gotham no canal The CW, ao incluir Batwoman em suas séries. Além disso, e mesmo que mantenha vigente um acordo com a Warner no valor de 300 milhões de dólares (1,1 bilhão de reais), em outubro estreará na Netflix com a reinvenção da bruxa Sabrina, afiançada pelo sucesso de Riverdale, outra franquia de quadrinhos que ajuda a construir. Os canais abertos também apostam nele, com sinal verde para três de seus pilotos nesse ano.

O que dizem dele

Melissa Benoist, a Supergirl, descreveu assim a relevância do trabalho de seu chefe: “Se as crianças olham a tevê e veem personagens que agem, amam e se identificam como elas, abre as portas para que se sintam orgulhosas de quem são e lhes dá forças para lutar. Enquanto Greg criava histórias universais, rompeu barreiras pela representação”. Com amor, Greg.

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