Preso suspeito de matar brasileira na Nicarágua

Um homem de 42 anos foi apontado como o responsável pela morte de Rayneia Gabrielle Lima, ocorrida na segunda-feira

Manágua (Nicarágua) - 29 jul 2018 - 18:46 UTC
Estudantes da Universidad Americana (UAM), na Nicarágua, realizam homenagem à brasileira Rayneia Gabrielle Lima, assassinada no país.
Estudantes da Universidad Americana (UAM), na Nicarágua, realizam homenagem à brasileira Rayneia Gabrielle Lima, assassinada no país. Esteban Biba / EFE

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Um homem de 42 anos foi detido na Nicarágua como suposto assassino da estudante brasileira Rayneia Gabrielle Lima, morta na segunda-feira com vários disparos, informou a Polícia Nacional nesta sexta-feira. A Polícia nicaraguense identificou o suspeito como Pierson Gutiérrez Solís, de 42 anos. Gutiérrez "foi flagrado com uma arma de fogo, tipo carabina M4", detalhou a Polícia em um curto comunicado.

Inicialmente a Polícia tinha informado que o autor do crime era um segurança particular, mas o inquérito não explicava como um guarda desse tipo portava um fuzil automático em versão carabina, fabricado pela empresa Colt dos Estados Unidos.

A Polícia nicaraguense tampouco confirmou se Gutiérrez era guarda de segurança privada. Horas depois do assassinato de Lima, o reitor da Universidade Americana (UAM), onde a brasileira cursava o sexto ano de medicina, Ernesto Medina, denunciou que ela foi vítima dos disparos de "um grupo de paramilitares". O crime contra Lima ocorreu em meio a uma crise que deixou entre 295 e 448 mortos desde abril, durante protestos contra o presidente Daniel Ortega, a quem os manifestantes apontam como responsável.

O Governo do Brasil pediu que a Nicarágua investigue o caso em profundidade. "Vamos insistir porque nos parece uma coisa inaceitável", disse nesta sexta-feira o ministro de Relações Exteriores do Brasil, Aloysio Nunes.

A Comissão Interamericana de Direitos Humanos (CIDH), com apoio do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos (ACNUDH), responsabilizou o Governo da Nicarágua por "assassinatos, execuções extrajudiciais, maus tratos, possíveis atos de tortura e detenções arbitrárias cometidos contra a população majoritariamente jovem do país", mas o Governo de Daniel Ortega nega as acusações.

A Nicarágua vive sua crise mais sangrenta desde a década de 1980, também sob a presidência de Ortega. Os protestos contra Ortega e sua esposa, a vice-presidenta Rosario Murillo, começaram em 18 de abril, por causa da fracassada reformas previdenciária, transformando-se em seguida numa reivindicação pela renúncia do mandatário, que, após 11 anos no poder, enfrenta acusações de abuso e corrupção.

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