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FMI alerta para aumento dos riscos na economia mundial pela alta do protecionismo

Brasil crescerá 1,8% este ano, meio ponto a menos do que o previsto em abril. Também há cortes para Argentina e México, o que faz com que a projeção para a América Latina caia quatro décimos, para 1,6%

O porto comercial de Keelung, em Taiwan.
O porto comercial de Keelung, em Taiwan. EFE

O crescimento da economia mundial permanece robusto, mas tende a ser menos equilibrado, é mais frágil, e os riscos que o ameaçam são maiores. Essa é a mensagem central lançada pelo Fundo Monetário Internacional (FMI) ao apresentar a atualização das previsões econômicas feitas em abril. Continua projetando um crescimento total de 3,9% para este ano e para o próximo. Não se altera para os Estados Unidos, mas foi reduzido para toda a América Latina.

Maury Obstfeld, consultor econômico do FMI, identifica claramente o motivo. "A causa é o aumento das tensões comerciais", diz ele, "a ampla expansão mundial que começou há dois anos se estagnou e ficou menos equilibrada". Além disso, afirma que a instituição não está em condições de dizer que essas previsões se manterão. Ele afirma que o crescimento está sendo mais moderado na maioria das economias avançadas.

A projeção ajustada para os países mais ricos é de 2,4% em 2018, um décimo a menos do estimado há três meses. Isso se dá em razão do corte para a zona do euro, França, Alemanha, Itália e Reino Unido, em decorrência do Brexit. Para o ano que vem, deve cair para 2,2% —neste caso, permaneceria como previsto em abril—.

Os EUA crescerão mais rapidamente do que a taxa potencial observada durante a recuperação da Grande Recessão e a criação de empregos permanecerá robusta. No seu caso, a projeção de 2,9% neste ano e 2,7% no próximo se mantém como resultado do efeito dos incentivos fiscais e do aumento de gastos. Mas o FMI já antecipou há um mês, ao apresentar sua análise da economia, uma forte freada a partir de 2020.

Quanto aos países emergentes e em desenvolvimento, crescerão 4,9% este ano e 5,1% no ano que vem. A China continuará na mesma linha do que estava previsto. Não é o caso de outras grandes economias do grupo, como o Brasil, que se expandirá este ano 1,8%, meio ponto a menos do que o previsto em abril. Também há um corte para a Argentina. Isso faz com que a projeção para a América Latina caia quatro décimos este ano, para 1,6%.

Incerteza política

De qualquer modo, o FMI espera que o crescimento da região se acelere no próximo ano e chegue a 2,6%, embora dois décimos menos do que se esperava. Os técnicos mencionam a incerteza provocada pela transição política em alguns países, como o Brasil e o México, onde o crescimento para este ano permanece em 2,3%, mas foi reduzido em três décimos para o próximo, para 2,7%.

Estas são as projeções gerais se as coisas continuarem como estão até agora. Mas Obstfeld adverte que se o confronto comercial se ampliar por causa das tarifas impostas pelos EUA à China, Europa, México e Canadá, e esses países responderem da mesma forma, “isso terá efeitos adversos na confiança, no valor dos ativos e nos investimentos". É por isso que ele reitera que esse é o maior risco no curto prazo.

O FMI calcula que, se essas ameaças se materializarem, podem tirar meio ponto do crescimento previsto para 2020. E insiste, dirigindo-se aos EUA, que nesse tipo de situação ninguém ganha e todos têm algo a perder. "São potencialmente vulneráveis", explica Obstfeld, "porque as medidas de retaliação comercial afetarão um volume relativamente alto de suas exportações.

A equipe liderada por Obstfeld cita a "complacência" demonstrada até agora pelos mercados financeiros com a situação. Também em relação aos elevados níveis de endividamento, que criam uma vulnerabilidade cada vez maior e mais generalizada. O temor é que haja um ajuste repentino do valor dos ativos se as condições econômicas e das empresas mudarem de forma repentina.

Juros e dívida

Nesse sentido, mais uma vez pede ao Federal Reserve que mantenha a estratégia de aumento gradual das taxas de juros para evitar que a economia dos EUA se superaqueça, mas sem chegar a contê-la excessivamente. Isso, combinado com a valorização do dólar, coloca mais pressão sobre os países que têm suas dívidas na moeda norte-americana. "Se o Fed agir mais rápido do que o previsto", ele adverte, "a pressão será mais intensa".

Outro fator negativo é o aumento do preço do petróleo, de 16% desde fevereiro, em grande medida por causa da restrição ao fornecimento da Venezuela e Irã. É uma boa notícia para os países produtores, mas um fardo crescente para os importadores. O aumento do preço da gasolina está elevando a inflação nas economias avançadas e emergentes.

Nesta situação, o FMI pede que se evite a adoção de medidas protecionistas e seja “encontrada” uma solução por meio da cooperação para "preservar" a promoção do crescimento do comércio de bens e serviços como um elemento essencial da expansão global. Também pede aos países que se armem da margem fiscal necessária para enfrentar uma situação mais volátil.

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