A queda do petróleo

OPEP está disposta a dialogar para estabilizar o preço do petróleo

Mensagem foi acompanhada de grandes altas no mercado de petróleo de Europa e EUA

Um poço de extração de petróleo nos Estados Unidos
Um poço de extração de petróleo nos Estados Unidos

A volatilidade volta a tomar conta do mercado de petróleo. Desta vez, alimentada pela intenção manifestada pelos membros do cartel da OPEP, responsável pela produção de 40% do petróleo mundial, que afirmaram nesta segunda-feira estarem “preocupados” com a queda acentuada dos preços do barril e manifestaram a disposição de discutir a situação “com outros produtores” de petróleo. A reação a esse comunicado, que aponta para uma futura intervenção para impulsionar os preços, foi imediata. O barril de petróleo bruto de referência nos EUA aumentou de 43,6 dólares (cerca de 147,8 reais) no início da sessão para 49,3 dólares. Uma escalada de quase seis dólares em apenas algumas horas.

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O último boletim divulgado pelo grupo de países produtores de petróleo admite que a pressão sobre os preços o preocupa, assim como aos outros atores do mercado, e, portanto, estariam dispostos a tomar medidas no sentido de um acordo para estabilizá-los. “A Opep protegerá seus próprios interesses”, advertiu o boletim. Às possíveis negociações se somam as primeiras evidências da Agência Internacional de Energia de que a produção caiu já em junho, com 9,3 milhões de barris, em comparação com os 9,4 milhões de maio.

O petróleo negociado em Nova York começou o dia em baixa, até 43,6 dólares o barril. Mas depois do comunicado o preço do barril mudou bruscamente de tendência e subiu até fechar em 49,2 dólares, o que representa um aumento de 8,8%. O petróleo bruto comercializado na Europa, o brent, pulou para 52,78 dólares durante o dia.

O próximo nível de resistência é a barreira dos 50 dólares o barril, tendo em vista que a oferta ainda excede a demanda e isso continuará a fazer aumentar os estoques. O baixo preço do petróleo, no entanto, favorece as empresas que se dedicam a refinar a matéria-prima para produzir gasolina. Warren Buffett acaba de anunciar que aumentará sua participação na Phillips 66.

Eixo Rússia-Venezuela

O preço do barril vale agora cerca da metade do preço de um ano atrás, quando rondava os 100 dólares. Ao longo da primavera, conseguiu recuperar 60 dólares frente à expectativa de um aumento na demanda. Mas os dados mais recentes sobre o estado das reservas voltaram a exercer uma forte pressão durante julho e agosto, e isso deu rédea solta à especulação enquanto se questionava o vigor da economia na China.

Como resultado dessa preocupação crescente, o presidente russo Vladimir Putin também está aberto a discutir com o venezuelano Nicolás Maduro a possibilidade de tomar medidas para fixar um preço mínimo do barril, a principal fonte de recursos dos dois países. Ambos os líderes estarão nesta semana Pequim para participar no desfile militar nos 70 anos do fim da Segunda Guerra Mundial na Ásia.