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Morre Claude Lanzmann, diretor de ‘Shoah’

O diretor francês, que se definia como um militante e combatente da verdade, faleceu aos 92 anos, em Paris

Claude Lanzmann, em Cannes.
Claude Lanzmann, em Cannes. GETTY

Claude Lanzmann morreu nesta quinta-feira em Paris, aos 92 anos, segundo informou um porta-voz da editora Gallimard à AFP. O diretor é conhecido sobretudo por Shoah, um documentário de quase dez horas sobre os sobreviventes do Holocausto, um trabalho colossal ao qual dedicou doze anos de sua vida. Em 2013 recebeu na Berlinale o Urso de Ouro honorário por sua carreira.

Lanzmann, nascido em Bois-Colombres em 1925, filho de emigrantes judeus da Europa do Leste e militante da Juventude Comunista, foi membro da resistência na França ocupada pelos nazistas. Depois de estudar Literatura e Filosofia, dedicou-se primeiro ao jornalismo e, posteriormente, ao cinema. Amigo íntimo de Jean-Paul Sartre e de Simone de Beauvoir, dirigiu a revista Les Temps Modernes, fundada pela dupla de filósofos em 1945, depois da morte de Beauvoir em 1986. Foi um defensor infatigável da causa israelense.

O diretor apresentou em maio em Cannes o filme Napalm, que narra uma história de juventude que já abordou ao longo de uma vintena de páginas em sua autobiografia romanceada, A Lebre da Patagônia (Companhia das Letras): a história de amor inconclusa que viveu nos anos cinquenta com uma enfermeira norte-coreana. Entrevistado durante o festival por este jornal, Lanzmann, cujo filho morreu em janeiro, aos 23 anos, afirmou estar convencido de que “a vida ganha sempre”

“A morte não é uma questão de rotina, não estou para a morte, sempre acredito na vida, amo a vida loucamente, embora com frequência não seja divertida”, confiou a um jornalista da AFP.

Sua última obra, Les Quatre Soeurs (As quatro irmãs), composta por quatro entrevistas que realizou enquanto preparava Shoah, estreou nesta quarta-feira na França.

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