Seleccione Edição
Login

Pedro Sánchez, o sobrevivente inesperado

O secretário geral socialista se torna presidente após a primeira moção de censura que prospera na democracia da Espanha

Pedro Sanchéz novo primeiro-ministro da Espanha
Pedro Sánchez, na segunda sessão da moção de censura contra Rajoy. GTRES

Um ano atrás, o atual presidente do Governo da Espanha, Pedro Sánchez, não estava apenas fora da corrida pelo Governo, mas fora de seu próprio partido. Sua presidência é algo imprevisível: há uma semana ele ainda hesitava apresentar a moção de censura contra Mariano Rajoy, que lhe abriu as portas do Executivo. Havia retornado ao partido (PSOE) fazia um ano e estava em queda nas pesquisas. Agora, sua vitória culmina em uma trajetória política marcada pela tenacidade e pela sorte. Pela sobrevivência.

Doutor em Economia, Pedro Sanchéz está na política desde o ano 2000, uma das épocas douradas do PSOE: no mesmo Congresso fFederal em que socialista foi nomeado delegado, José Luis Rodríguez Zapatero foi nomeado secretário-geral e se tornaria um dos presidentes mais populares da Espanha.

O primeiro cargo público do novo primeiro-ministro foi o de vereador em Madri, que assumiu em 2004 com a renúncia da mulher que ocupava o posto. Da mesma forma tornou-se deputado no Congresso duas vezes, em 2009 e em 2011: porque aqueles que o ocupavam o posto saíram. Do esporte e em particular do basquete – jogou em um time até os 21 anos – dizem que aprendeu a ambição de ganhar. Graças ao gosto pelo esporte, leva uma vida saudável e familiar. É casado e tem duas filhas.

Sánchez queria ser presidente do Governo espanhol. Tentou em 2015 com um pacto com o Ciudadanos, um partido conservador de novo cunho. Quis tentar uma segunda vez, mas os dirigentes de seu partido o impediram. E o conseguiu com uma moção de censura.

Sánchez será o primeiro premiê da democracia que não é ao mesmo tempo deputado. O fato de o líder socialista não ter assento no Congresso é a cicatriz mais evidente das feridas que partiram em dois o PSOE há dois anos por causa da governabilidade do país. O líder do PSOE se viu obrigado pelos barões que mandavam no PSOE na época a apoiar Mariano Rajoy, que então buscava desesperadamente apoio para traduzir em uma presidência seus magros resultados eleitorais. Em vez disso, Sánchez renunciou ao cargo de deputado e, em um gesto traumático, renunciou ao posto de secretário-geral do partido em outubro de 2016. Costuma usar esse ato de renúncia como exemplo de que é fiel aos seus princípios.

Hoje derrubou Rajoy e o conseguiu com o apoio de nacionalistas e independentistas, mas a direção de Sánchez afirma não ter negociado nada com esses grupos políticos. Sánchez advertiu-os da tribuna que seu Governo cumprirá e fará cumprir a Constituição, e que não admite o direito de autodeterminação da Catalunha. Apesar disso, os líderes históricos do partido assistem com preocupação às condições em que chega à presidência.

Ninguém pode duvidar da vontade de ferro de Pedro Sánchez. A resistência e a perseverança são duas das características mais relevantes do seu perfil psicológico, que mostrou ao enfrentar situações em que tinha tudo contra ele. É determinado e constante, garantem em seu círculo mais próximo, reflexivo, às vezes pouco empático e hermético. Seus críticos o acusam de ser inconsistente e irregular.

MAIS INFORMAÇÕES