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Escândalo imigratório derruba ministra no Reino Unido

Governo é suspeito de tratar erroneamente moradores de origem caribenha como imigrantes irregulares

Pablo Guimón
Jack Taylor
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A ministra do Interior britânica, Amber Rudd, renunciou neste domingo depois das pressões a que foi submetida nas últimas semanas. Ela foi criticada pela forma como geriu o escândalo desencadeado depois que veio a tona o tratamento que o governo deu à chamada geração Windrush, moradores de origem caribenha erroneamente tratados como imigrantes em situação irregular. Com a demissão de Rudd, sai do Governo uma das pessoas cujo nome era o mais cotado para suceder a primeira-ministra, Theresa May. Era também uma das figuras mais moderadas no Brexit, que mais abertamente defendia uma ruptura suave com a União Europeia.

O Governo fracassou nas últimas semanas ao explicar por que alguns descendentes da geração Windrush – assim batizada em homenagem ao primeiro navio que trouxe esses antilhanos ao Reino Unido, em 1948, para suprir a escassez de mão de obra depois da guerra – tinham sido tratados como imigrantes em situação irregular. O escândalo ofuscou a cúpula da Commonwealth, realizada em Londres há duas semanas, e alimentou as críticas à política chamada de “ambiente hostil”, que Theresa May pôs em andamento quando era ministra do Interior, antes de se tornar primeira-ministra.

O Governo pediu desculpas e anunciou que dará compensações aos prejudicados. Mas o escândalo pôs em xeque a gestão da imigração dos últimos Governos conservadores, que prometeram reiteradamente reduzir a imigração líquida para níveis abaixo de 100.000 pessoas, um objetivo que não chegou a alcançar nem de longe e que colocava uma enorme pressão à pasta ministerial da qual primeiro May foi titular e, depois, ao chegar a Downing Street após o referendo do Brexit, Amber Rudd assumiu. Rudd foi alvo de duras críticas por suas contradições ao responder às revelações sobre o escândalo. Informações publicadas pelo The Guardian a vinculavam ao estabelecimento de metas quantitativas de deportações de imigrantes. A ministra havia negado no Parlamento a existência desses planos. “Amber Rudd conhecia as metas que disse que não existiam. É o momento de Rudd sair”, denunciou a porta-voz trabalhista na área do Interior, Diane Abott.

Rudd havia sido convocada a responder sobre isso nesta segunda-feira no Parlamento, mas no fim da tarde deste domingo ela telefonou à primeira-ministra para apresentar sua demissão. E May aceitou, como comunicou o Governo.

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