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Polícia obtém imagens de suspeito de atirar contra acampamento pró-Lula

Vídeo de uma câmera de segurança mostra uma pessoa caminhando até o local e efetuando os disparos

Simpatizantes do ex-presidente Lula em ato em Curitiba.
Simpatizantes do ex-presidente Lula em ato em Curitiba.

A Polícia Civil do Paraná divulgou na tarde deste sábado imagens do suspeito que atirou contra o acampamento pró-Lula em Curitiba, que reúne apoiadores do ex-presidente perto da carceragem da Polícia Federal onde ele está preso. O ataque aconteceu por volta de 3h45 desta madrugada e deixou dois feridos, um deles foi internado. O vídeo que capturou o crime mostra uma pessoa andando em direção ao local e, em seguida, se afastando de costas, enquanto continua a efetuar disparos. Este foi o segundo ataque com armas de fogo contra simpatizantes do ex-presidente em um mês: em março, com Lula ainda em liberdade, um ônibus com integrantes de sua caravana foi alvejado também no Paraná.

Por meio de uma nota divulgada pela Secretaria de Segurança Pública, o delegado titular da Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Curitiba, Fábio Amaro, afirmou que o suspeito chegou em um carro preto modelo sedan e foi caminhando até o acampamento. Depois de efetuar os disparos ele fugiu. A DHPP pediu para que quem tenha qualquer informação sobre o caso ligue no telefone 0800-643-1121. A ligação é gratuita e anônima.

Imagens mostram suspeito de atirar em acampamento pró-LulaVídeo: Divulgação Polícia Civil do Paraná

Os disparos acertaram Jeferson Lima de Menezes, de 39 anos, no pescoço. Ele foi levado para a UTI e se encontra internado. Segundo a polícia, ele foi atingido de raspão. Uma mulher também ficou levemente ferida depois de ser atingida por estilhaços. Militantes petistas disseram que foram ouvidos ao menos 20 tiros.

Durante a tarde deste sábado, a polícia tomou o depoimento de algumas testemunhas. Peritos da Polícia Científica do Paraná também estiveram no acampamento e, no período da tarde, retornaram para realizar novas diligências, afirmou a nota. Segundo a secretaria, "todas as forças de segurança do Estado estão trabalhando de forma conjunta para identificar e prender o suspeito dos disparos." O policiamento no local foi reforçado. Mais cedo, a polícia havia afirmado que a perícia encontrou no local cápsulas de munição 9 milímetros, que são de uso exclusivo das forças armadas. 

Em nota, a presidenta do PT, senadora Gleisi Hoffmann (PR), afirmou que "quem incita o ódio contra a esquerda, contra os movimentos sociais, contra Lula e contra o PT, é responsável por esses tiros!". Em um vídeo, ela disse ainda que a violência é resultado do clima de "perseguição contra Lula e o PT". "A Lava Jato e o juiz Sérgio Moro, que coordena essa força-tarefa, têm responsabilidade objetiva nisso. Assim como a grande mídia, especialmente a Rede Globo, que dia após dia incita o ódio contra Lula, contra o PT, e acontecem essas coisas que estamos vendo." Discurso similar foi feito pelo senador petista Lindbergh Farias. O acampamento Marisa Letícia, em apoio ao ex-presidente, começou a ser montado no entorno da carceragem da PF logo após a prisão do petista, em 7 de abril. Posteriormente, a Justiça determinou a desocupação do local. Desde então os militantes acampam em um terreno alugado a aproximadamente 800 metros da área anterior.

Gleisi sobre tiros contra acampamento

Gleisi Hoffmann sobre os tiros contra o acampamento em Curitiba.

Gepostet von Lula am Samstag, 28. April 2018

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O grupo acampado divulgou nota, dizendo que o ataque "é uma crônica anunciada". Desde o dia quando houve a mudança de local de acampamento, cumprindo demanda judicial, integrantes do movimento social haviam sido atacados na região. Desde aquele momento, a coordenação da vigília já exigia policiamento e apoio de viaturas, como foi inclusive sinalizado nos acordos para mudança no local do acampamento". Após o ataque os acampados realizaram um protesto de cerca de uma hora durante a manhã, pedindo o fim da violência e a apuração dos culpados.

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O presidente estadual do PT no Paraná, Dr. Rosinha, criticou a falta de policiamento e segurança no local até o momento do crime. “Nós desmanchamos o acampamento cumprindo ordem oficial. Fizemos a opção de ir para um terreno e seria garantida a segurança. Agora o que cobramos da Secretaria de Segurança Pública é investigação, que identifique o atirador”. Representantes do PT se reuniram com a polícia no começo da tarde e ficou determinado que haveria policiamento constante no acampamento.

Em sua conta do Twitter, a pré-candidata do PC do B à presidência, Manuela d'Ávila, lamentou o episódio e aproveitou para criticar o pré-candidato do PSL, Jair Bolsonaro, que apareceu em um evento simulando disparos contra um boneco com o rosto de Lula. "No Brasil que eu quero viver tiros são não são disparados contra quem faz política. Esses tiros são uma ameaça a democracia!!! Lembram do episódio de Bolsonaro simulando tiros ao boneco de Lula? O que ele pensa sobre isso? Calará como no episódio de Marielle?", afirmou d'Ávila. O ex-prefeito de São Paulo Fernando Haddad, responsável por coordenar o plano de Governo de Lula, classificou o ato como "outro ataque fascista". Ciro Gomes, também pré-candidato a presidente pelo PDT, afirmou em seu Twitter que "a falta de punição para quem assassinou a vereadora Marielle Franco e para quem atacou o ônibus da caravana do ex-presidente Lula é que permite que crimes como esse se repitam". 

Lula foi condenado a 12 anos e um mês de prisão por corrupção e lavagem de dinheiro no caso envolvendo um tríplex no Guarujá investigado pela Operação Lava Jato.

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