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Seis destaques de ‘Vingadores: Guerra Infinita’

Marvel comemora primeira década no cinema com evento em que reúne a maioria de seus heróis

A franquia de maior bilheteria da história do cinema começou quando já tinham passado os créditos finais. Faz exatamente 10 anos que Samuel L. Jackson, na pele do diretor da SHIELD, Nick Fury, veio com aquele papo de “quero te falar sobre a iniciativa Vingadores” para o então novato Tony Stark (Robert Downey Jr.). A Marvel, que com Homem de Ferro lançava seu primeiro filme como estúdio independente, antecipou naquela cena o que estava por vir. Não podia garantir, no entanto, que seus ambiciosos planos seriam realizados. Para além do Homem-Aranha, Hulk e X-Men, afinal de contas, os heróis dos quadrinhos eram relativamente desconhecidos entre o público em geral e aquela primeira aventura dirigida por Jon Favreau poderia ter sido um fracasso.

Se a experiência não tivesse convencido, teria atropelado o Capitão América e Thor. E muito menos teriam se atrevido com personagens desconhecidos inclusive entre os leitores de quadrinhos como Guardiões da Galáxia. Mas uma década depois, uma compra pela Disney no meio e tendo enfileirado 19 sucessos, Vingadores: Guerra Infinita — a epopeia que estreia nesta quinta-feira, 26 de abril, reunindo o que há de mais exuberante no universo cinematográfico Marvel — parece quase inevitável. Aqui, alguns destaques, sem spoilers, de uma das estreias mais importantes do ano. Sim, tem espaço para todos.

Não há tempo para apresentações. Se o espectador chegou a Vingadores: Guerra Infinita depois de 18 filmes, já conhece os protagonistas. Os irmãos Russo assumem que aqueles que vão ao cinema para ver o filme conhecem Peter Quill, Dr. Strange ou Hulk, suas motivações, poderes e trajetórias, portanto, ao contrário dos filmes anteriores dos diretores, não há qualquer apresentação ou desenvolvimento. Afinal, isto é mais um evento do que um filme. Um encontro de duas horas e meia feito para aqueles que vibram há uma década com personagens que fazem tantas pessoas se sentarem nas poltronas. O carisma continua intacto, mas isto é o equivalente de um grande evento cômico com muitas subtramas e grupos de super-heróis espalhados, como em Guerras Secretas ou o Contest of Champions. Não espere um Capitão América 2 – O Soldado Invernal.

Thanos é o protagonista. Embora a maioria dos heróis tenha pouco desenvolvimento como personagens independentes, quem brilha é Thanos (interpretado por Josh Brolin), possivelmente único protagonista da obra e cuja motivação para ficar com a gema do infinito é reiteradamente colocada, mesmo que tenha tido de se desligar de algumas das qualidades mais interessantes de sua versão em quadrinhos. A Marvel é frequentemente atacada pela falta de carisma e de objetivos de seus vilões (aqui é preciso defender Zemo, interpretado por Daniel Bruhl). Este não é o caso.

É meio filme. Como já disse, Vingadores: Guerra Infinita é um evento cheio de ação e de momentos de pico, e também apenas meio filme. Os Vingadores 4 (ainda sem título, por causa dos spoilers) já está filmado e será estreitamente relacionado no final da terceira aventura. Essa será a verdadeira despedida e, narrativamente, a que fecha o argumento. Nunca o caráter de serialização esteve tão presente na franquia.

Faltam alguns heróis. Como antecipado pelo material promocional, alguns dos heróis reconhecíveis do universo cinematográfico da Marvel não aparecem, embora sua ausência seja justificada. Os Russo prometeram que o protagonismo será compensado em Vingadores 4. Também não há muitas apresentações de novos personagens. Até os secundários (exceto Peter Dinklage) são reciclados. É que não havia espaço para mais. Foi isso que os diretores concluíram quando descartaram, por exemplo, Adam Warlock, portador da gema mais poderosa, a Joia da Alma, e versão galáctica de Jesus Cristo dos quadrinhos da Marvel. “Precisaríamos de um filme inteiro para apresentá-lo.”

Jim Starlin está muito presente. Não poderia ser diferente. O escritor que criou Thanos (no número 55 de Homem Ferro) e desenvolveu na década de noventa a saga do Infinito (que a Panini está recopilando na sua totalidade) está muito presente na grande epopeia galáctica de Os Vingadores. Como nos quadrinhos, vai além do super-herói para se tornar uma space opera. Aqui, ainda assim, estão menos presentes os conteúdos oníricos e filosóficos e seres abstratos como a Morte, a Eternidade, o Tribunal Supremo, a Ordem e o Caos. Tampouco, exceto o Colecionador, interpretado por Benicio del Toro, as entidades às quais Thanos roubava as gemas nos quadrinhos. No cinema, a maioria dos cristais já foi apresentada nas mãos do Doutor Estranho e Loki.

Próxima parada. Embora tudo fique pela metade, a quarta aventura dos Vingadores não chegará antes de um ano. Enquanto isso, a Marvel lançará Homem-Formiga e a Vespa, de Peyton Reed (cuja estreia no Brasil acontecerá em 5 de julho), com personagens que não aparecem aqui; Capitã Marvel, de Anna Boden e Ryan Fleck (com estreia no Brasil prevista para 6 de março de 2019), ambientada nos anos noventa e que, além de apresentar a nova heroína de Brie Larson, recupera Fury (Samuel L. Jackson), o televisivo Coulson (Clark Gregg), Ronan, o Acusador (Lee Pace, de Guardiões da Galáxia) e Korath (Djmon Hounsou). Ambas as histórias influenciarão o futuro da saga, uma vez que seus personagens protagonistas aparecerão no final da festa (isso fica claro na cena após os créditos).

E depois? Todas as informações estão guardadas a sete chaves e a Marvel nem sequer estará presente na Comic-con de San Diego. Nem precisa. A quarta fase só confirmou oficialmente até agora as continuações de Homem-Aranha e Guardiões da Galáxia. Também há dúvidas sobre o que acontecerá com as franquias do X-Men da Fox quando a Disney acabar comprando o estúdio rival. Parece óbvio, mesmo assim, que haverá pelo menos uma segunda parte de Black Panther, que, por enquanto, é o filme da saga de maior bilheteria nos EUA. Um dado que nem os mais corajosos teriam antecipado. E tudo graças a uma cena depois dos créditos que muitos nem esperaram para ver.

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