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Canadá descarta ataque terrorista em atropelamento em Toronto

Alek Minassian, de 25 anos, sofreria de suposto transtorno mental. Matou 10 pessoas e feriu outras 15

Alek Minassian, autor do atropelamento
Alek Minassian, autor do atropelamento

Pouco a pouco, em meio à tragédia, surgem detalhes sobre o atropelamento em massa ocorrido na segunda-feira em Toronto, que matou 10 pessoas e feriu 15. Informações preliminares indicam que a causa do ataque na maior cidade do Canadá seria o suposto transtorno mental sofrido pelo autor do atropelamento, Alek Minassian, um canadense de 25 anos. Como já havia antecipado no dia anterior, o primeiro-ministro do Canadá, Justin Trudeau, descartou nesta terça-feira a hipótese de um ataque terrorista.

"A investigação continua, mas já está claro que não há conexão com a segurança nacional", disse Trudeau à imprensa. E acrescentou que "levará algum tempo" para entender as razões do pior atropelamento em massa na história do país. Inicialmente, temia-se que pudesse ser um ataque terrorista, uma vez que nos últimos anos simpatizantes jihadistas têm conduzido atropelamentos contra transeuntes em cidades ocidentais.

Trudeau também informou que seu Governo não elevou o nível antiterrorista no Canadá nem modificou os esquemas de segurança para a cúpula do G-7, que será realizada em junho em Quebec. O primeiro-ministro classificou o ataque como uma ação "sem sentido" e afirmou: "Não devemos começar a viver com medo". "Temos que nos concentrar em manter os canadenses seguros e, ao mesmo tempo, sermos fiéis à liberdade e aos valores desejados por todos os canadenses. Devemos continuar sendo um país aberto e livre", acrescentou.

Minassian foi preso logo após o atropelamento conduzido com uma van, o qual as autoridades consideram ter sido intencional. Na madrugada desta terça-feira, Minassian compareceu ao Tribunal de Justiça de Ontário. Ouviu a leitura das acusações contra ele: 10 por homicídio em primeiro grau e 13 por tentativa de homicídio.

A polícia de Toronto disse que o agressor não tinha passagem pela polícia. A principal questão é o que o levou a cometer a atrocidade. Segundo alguns de seus conhecidos citados pelo jornal The Globe and Mail, Minassian é uma pessoa sem afiliações religiosas ou políticas conhecidas; tampouco havia demonstrado opiniões com tendências violentas. O jornal entrevistou vários ex-colegas de classe de Minassian. Disseram que era introvertido, "socialmente desajeitado", que tinha tiques nas mãos e alguns até duvidavam de que soubesse dirigir.

O jovem residia em Richmond Hill, cidade localizada na área metropolitana de Toronto. Havia estudado em um colégio para alunos com necessidades especiais e formou-se em ciência da computação -- com especialização em processadores gráficos – no Seneca College, uma instituição localizada no mesmo distrito do atropelamento.

Um colega de classe em Seneca, que estudou com ele em 2015, o descreveu no The Globe and Mail como alguém com uma deficiência mental ou social significativa, com dificuldade para falar com as pessoas e com tiques constantes que o levavam a mexer constantemente as mãos e bater na própria cabeça. O colega inclusive questionou se Minassian sabia manejar o volante de um veículo. Ele duvida que o ataque possa ter motivação política e suspeita da hipótese de que o jovem teria entrado em pânico diante de um possível acidente. Pouco antes de ser preso, Minassian pediu à polícia para que atirasse nele e ameaçou ter uma arma, o que não era verdade.

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