Atriz Allison Mack é presa por sua relação com a seita que marcava como gado suas escravas sexuais

Conhecida por seu papel em ‘Smallville’, artista é acusada de tráfico sexual e conspiração

A atriz Allison Mack em Los Angeles, em uma foto de arquivo de junho de 2012.
A atriz Allison Mack em Los Angeles, em uma foto de arquivo de junho de 2012.GUS RUELAS (REUTERS)

Mais informações

As autoridades de Nova York prenderam na sexta-feira a atriz Allison Mack, conhecida por seu papel na série Smallville, por seu suposto envolvimento na seita Nxivm, que marcava suas escravas sexuais como gado com as iniciais de seu líder, Keith Raniere, preso em 27 de março no México e deportado aos Estados Unidos. Mack, de 35 anos, é acusada de tráfico sexual e conspiração por obrigar pessoas a realizarem trabalhos forçados. Estava previsto que a atriz prestasse depoimento em um tribunal neste sábado.

Em um comunicado, o promotor do distrito Leste de Nova York, Richard P. Donoghue, explicou que a atriz “recrutou mulheres” para que se juntassem a um suposto grupo de tutoria feminina “criado e liderado” por Keith Raniere, acusado pelos mesmos crimes e que terá pela frente 15 anos de prisão. A Nxivm era uma suposta organização de autoajuda e seu líder, antes de sua deportação aos EUA, era procurado pelas autoridades do país pelos crimes de tráfico de escravas sexuais e associação criminosa para trabalhos forçados.

No ano passado, o The New York Times revelou que algumas mulheres foram forçadas a ter sexo e marcadas como gado com as iniciais do guru, preso em um luxuoso condomínio perto de Puerto Vallarta (Jalisco), um balneário localizado no oeste mexicano. Raniere, de 57 anos, organizou durante duas décadas oficinas de motivação e autoajuda através dessa suposta organização, com base em Albany, Nova York, mas com presença no Canadá, México e vários países da América do Sul. O programa se transformou em uma rede de influências e relações públicas com mais de 16.000 participantes. No México, Emiliano Salinas Occelli, um dos filhos do ex-presidente Carlos Salinas de Gortari (1988-1994), era membro do Conselho. Em 13 de abril precisou abandonar a suposta organização.

De acordo com a Promotoria, a Nxivm, estabelecida no norte de Nova York, seguia um esquema de golpe piramidal em que os participantes eram obrigados a participar de aulas adicionais mais caras e trazer outras pessoas para “subir” de nível e obter privilégios. Mack foi identificada como um dos criadores de um programa chamado The Source (A Fonte, em português), que recrutava atores, de acordo com as autoridades.

No mesmo dia em que Raniere foi detido no México ele foi enviado ao Texas e depôs em um tribunal de Nova York em 13 de abril. Em 2015, Raniere criou uma sociedade secreta dentro da Nxivm chamada DOS, acrônimo em latim para “Amo das Colegas Obedientes” e “O Voto”, onde era o único homem e líder, enquanto Mack era “uma das mulheres no primeiro nível da pirâmide, imediatamente abaixo” dele. A DOS operava com as graduações de ‘mestres’ e ‘escravas’, e essas últimas tinham a função de recrutar novas integrantes, que estariam em um nível mais baixo e das quais os outros membros superiores da pirâmide poderiam se aproveitar, liderada pelo fundador.

“Mack e outros mestres da DOS recrutaram ‘escravas’ dizendo que se uniam a uma organização somente para mulheres que iria empoderá-las e erradicar supostas fraquezas que o currículo da Nxivm afirmava que eram comuns nas mulheres”, disse a Promotoria. Além disso, a condição prévia para se juntar era dar certas “garantias” de compromisso, entre elas que fossem incluídas informações “altamente prejudiciais” sobre amigos e familiares, fotos de nus e direitos sobre as posses da recruta.

Muitas escravas foram marcadas a fogo na região pélvica com um símbolo com as iniciais de Raniere durante cerimônias supervisionadas por um mestre, que ordenava a outra escrava que gravasse o ato enquanto os outros seguravam a vítima. De acordo com a acusação, Mack exigiu direta ou indiretamente que suas escravas, entre elas duas denunciantes não identificadas, realizassem atos sexuais com Raniere. A atriz recebeu uma compensação financeira “e de outro tipo” em troca desses atos, que elas realizaram por medo de que seus documentos comprometedores fossem expostos, segundo a Promotoria.