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Ações do Facebook caem quase 5% com revelações sobre vazamento de dados pessoais

Informações de milhões de pessoas foram compiladas irregularmente e usadas na campanha de Trump

Logotipo do Facebook, em foto tirada em Bruxelas
Logotipo do Facebook, em foto tirada em Bruxelas

As ações do Facebook, gigante norte-americano fundado por Mark Zuckerberg, chegaram a cair nesta segunda-feira quase 5%, para 176,15 dólares (cerca de 578 reais), na abertura dos negócios em Wall Street. A empresa foi atingida após revelações sobre o uso, sem permissão, de dados pessoais de milhões de usuários da rede social pela Cambridge Analytica. A consultoria eleitoral, fundada nos Estados Unidos e que trabalhou para a campanha presidencial de Donald Trump em 2016, obteve e manipulou irregularmente, por meio de sua matriz britânica, informações de 50 milhões de usuários do Facebook nos EUA. Na semana passada, o Facebook suspendeu a conta da consultoria eleitoral.

Uma investigação conjunta do The New York Times e The Observer revelou na semana passada que, em 2014, a empresa obteve uma base de dados para suposto uso acadêmico e a utilizou sem permissão para desenvolver estratégias durante as eleições de meio de mandato nos EUA. Trata-se de um dos maiores roubos de informações na história do Facebook. Dois anos depois, a Cambridge Analytica, que ainda possuía essa enorme quantidade de dados, trabalhou para a campanha presidencial do republicano Trump, que venceu as eleições de novembro de 2016.

A Cambridge Analytica obteve os dados por meio de um psicólogo da Universidade de Cambridge -- com qual a empresa, de mesmo nome, não tem relação.

O psicólogo, o russo-americano Aleksandr Kogan, conseguiu permissão do Facebook para solicitar dados de seus usuários com um aplicativo pensado para estudos de sua disciplina. Kogan, financiado com 800.000 dólares (2,6 milhões de reais) pela Cambridge Analytica, conseguiu a participação de 270.000 pessoas com perfis na rede social e reuniu dados como identidade, localização e preferências. Por sua vez, o aplicativo permitiu, de forma derivada, chegar às informações dos amigos, multiplicando para 50 milhões de usuários o alcance de seus dados.

Compartilhando o material com a Cambridge Analytica, o psicólogo violou as políticas de proteção de dados do Facebook. "Em 2015, soubemos que Kogan mentiu para nós e violou nossas políticas de plataforma ao fornecer dados de um aplicativo usado pelo Facebook Login para a SCL/Cambridge Analytica, uma empresa que realiza consultoria política, governamental e militar em todo o mundo", disse o comunicado do Facebook divulgado na sexta-feira e assinado por seu vice-presidente, Paul Grewal.

A Cambridge Analytica foi criada em 2013 com o financiamento do bilionário norte-americano Robert Mercer, um mecenas republicano considerado um dos principais motores econômicos da campanha de Trump. Naquela época, dois anos antes de o empresário do ramo imobiliário de Nova York ter lançado sua corrida presidencial, Mercer investiu 15 milhões de dólares para obter uma ferramenta que permitisse conhecer os eleitores e influenciar suas decisões. À frente da empresa estava o britânico Alexander Nix, que havia comandado a consultoria de marketing de comportamentos Strategic Communication Laboratories (SLC), e depois decidiu investir no lucrativo mercado das campanhas políticas norte-americanas.

Nix conheceu Mercer por meio de Stephen Bannon, que posteriormente foi principal assessor da campanha Trump e também entrou como sócio e investidor na nova empresa que Nix fundou nos EUA. Durante a campanha de 2016, a Cambridge Analytica trabalhou para dois candidatos republicanos, primeiro Ted Cruz e, depois, para Trump. Também prestou serviços em 2016 para a campanha de promoção do Brexit.

A empresa está sendo investigada por Robert Mueller, promotor especial que investiga a suposta interferência russa nas eleições dos EUA, e que solicitou os e-mails de funcionários da Cambridge Analytica que trabalharam na campanha de Trump.

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