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O crime que horroriza a Espanha: menino de 8 anos assassinado pela namorada do pai

A mulher foi presa ao tentar se desfazer do cadáver do garoto, desaparecido há 12 dias

Caso Gabriel Cruz
A suspeita, Ana Julia Quezada, num ato em 9 de março para apoiar a família do menino.

A Espanha passou os últimos 12 dias sem saber a sorte do menino de oito anos Gabriel Cruz, desaparecido em Almería, no sudeste do país. O caso teve neste domingo um desfecho trágico, que deixou a população horrorizada: forças policiais prenderam a namorada do pai de Gabriel, Ana Julia Quezada, quando ela transportava o cadáver do menino no porta-malas do carro. A mulher, de 35 anos, estava sendo vigiada havia tempo. Nos últimos dias, ela inclusive tinha participado, com lágrimas nos olhos, de marchas dos moradores da zona em solidariedade à família do garoto. Também fez declarações aos meios de comunicação, aparentemente muito abatida.

Os investigadores suspeitam que a mulher escondeu o corpo num buraco, mas decidiu mudá-lo de lugar temendo que o descobrissem. Os policiais interceptaram o veículo em que Ana Julia viajava e descobriram que no porta-malas, envolto numa espécie de capa, estava o corpo de Gabriel. “Os agentes se abraçaram chorando”, contou uma testemunha. Ana Julia foi algemada sobre o capô do carro, como mostra um vídeo gravado por um morador, enquanto gritava: “Não fui eu! Peguei este carro esta manhã”. “Fique calada”, respondeu um policial.

A polícia acredita que a mulher atuou só, embora a investigação não tenha desvendado por enquanto os possíveis motivos do crime. Ana Julia, nascida na República Dominicana, morava na Espanha há 20 anos e após do acontecido em Almeria a policia vai revisar o caso anterior de uma menina de quatro anos, morta enquanto estava sob o cuidado dela. Na época foi considerado um acidente.

Gabriel Cruz Ramírez, de oito anos, desapareceu em 27 de fevereiro na localidade de Las Hortichuelas, na província de Almería, depois de passar o dia na casa da avó. O menino foi visto pela última vez às 15h30 (hora local), embora o desaparecimento só tenha sido denunciado ao redor das 20h. Ana Julia, namorada de Ángel, pai de Gabriel, estava supostamente com a avó do garoto na tarde em que ele desapareceu.

O menino Gabriel Cruz.
O menino Gabriel Cruz.

A polícia a vigiava de perto havia alguns dias. Foi ela quem encontrou a única pista que havia do menor, uma camiseta. Aquela descoberta, mais do que despistar os policiais, colocou-a no centro da investigação, já que a região já tinha sido rastreada. Além disso, quando a policia pediu à mulher seu celular, ela alegou que o tinha perdido. O menino havia saído da casa da avó para brincar com primos que moram a apenas 100 metros de lá. Os pais só perceberam sua ausência por volta das 18h, três horas após ter desaparecido. No dia seguinte, cerca de 400 pessoas — entre moradores e policiais — iniciaram as operações de busca, enquanto o assunto começava a chamar a atenção do país inteiro. Ángel Cruz, o pai de Gabriel, ofereceu publicamente uma recompensa de 10.000 euros (40.000 reais) a quem desse qualquer tipo de informação. A quantia foi doada por um grupo de familiares e amigos. Até o primeiro-ministro, Mariano Rajoy, assim como importantes líderes políticos, fizeram declarações públicas enviando mensagens de esperança à família.

A primeira pista apareceu no sábado 3 de março. No final do dia, o pai de Gabriel e sua namorada encontraram uma camiseta do menino a cerca de 3,5 quilômetros do lugar onde ele tinha sido visto pela última vez. Ángel Cruz e Ana Julia chegaram a aparecer juntos diante das câmeras de TV. “O que meu coração me diz é que alguém levou o Gabriel”, declarou o pai.

Num primeiro momento, a polícia chegou a prender um homem de 42 anos que, no mesmo dia do desaparecimento, violou uma ordem da Justiça para se manter afastado da mãe do garoto, Patricia Ramírez. Mas os agentes finalmente descartaram o vínculo do homem com o caso.

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