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Partido de Leopoldo López pede boicote eleitoral na Venezuela

Vontade Popular: “Quem se inscrever sob estas condições estará fazendo um favor à ditadura”

O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma entrevista coletiva.
O presidente venezuelano, Nicolás Maduro, durante uma entrevista coletiva. AP

A oposição venezuelana começa a se definir contra as eleições presidenciais marcadas pelo chavismo para 22 de abril. Todas as forças que criticam o regime de Nicolás Maduro rejeitam a convocação por causa da ausência de garantias, mas o partido de Leopoldo López deu ontem um passo a mais. A Vontade Popular (VP), uma das formações majoritárias da Mesa da Unidade Democrática (MUD), pediu o boicote dessas eleições. “Quem se inscrever sob estas condições estará fazendo um favor à ditadura”, assinalou a organização.

O sucessor de Hugo Chávez decidiu no fim de janeiro acelerar o calendário eleitoral, aproveitando as divisões da coalizão opositora. Esse plano ficou claro na semana passada, depois do fracasso da mesa de diálogo na República Dominicana, na qual quis impor um acordo favorável ao oficialismo. Os venezuelanos estão convocados a votar em 22 de abril sob condições que a MUD e boa parte da comunidade internacional consideram inaceitáveis. Os partidos da aliança, entretanto, destacaram a importância de buscar uma posição unitária. Neste contexto, a Vontade Popular tomou oficialmente a iniciativa contra a convocação, conclamando a “lutar por verdadeiras eleições presidenciais”. “Não apresentaremos nem apoiaremos nenhum candidato e conclamamos todas as organizações políticas democráticas a não participar nem convalidar a fraude do 22-A”, anunciou em um comunicado o partido de López.

"Nem no solo nem no céu peruano"

A presidenta do Conselho de Ministros do Peru, Mercedes Aráoz, afirmou que o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, não poderá entrar no país andino nem sobrevoar seu espaço aéreo para ir à VIII Cúpula das Américas, que será realizada em Lima em meados de abril. “Ele não pode entrar nem no solo nem no céu peruano. Não pode entrar porque não está sendo bem-vindo”, disse ela depois que o presidente ameaçou ignorar o veto da cúpula regional.

Nem López nem outro líder oposicionista, Henrique Capriles, dirigente do partido Primeiro Justiça, poderiam participar das eleições. O primeiro está sob prisão domiciliar desde julho, depois de passar três anos e meio na prisão militar de Ramo Verde, e o segundo está inabilitado. A MUD − que já se recusou a participar da eleição da Assembleia Constituinte chavista em julho e se dividiu frente às eleições municipais de dezembro − não teria candidato porque seus principais nomes, salvo o ex-presidente do Parlamento Julio Borges, foram anulados pelo regime. A autoridade eleitoral controlada pelo chavismo, além disso, ilegalizou de facto seus partidos e o Tribunal Supremo ordenou que a coalizão fosse excluída das presidenciais. Com isso, a MUD não poderia concorrer unida, pelo menos com suas siglas atuais.

“Nós nos colocamos à disposição do povo da Venezuela para impulsionar um grande movimento nacional e internacional de luta e resistência popular pacífico”, continua a Vontade Popular, que considera necessário construir “um novo espaço de condução plural” e reitera que Maduro “pretende manipular a eleição presidencial, como fez o ditador Pérez Jiménez em dezembro de 1957”. Naquela ocasião, “a oposição política não participou nem legitimou a eleição, o que acabou fazendo com que tanto o povo da Venezuela como a Força Armada Nacional conquistassem a liberdade poucas semanas depois, em 23 de janeiro de 1958”.

Divisões na MUD

O Primeiro Justiça ainda não definiu sua posição frente às eleições, embora Borges, coordenador do partido, vá iniciar na próxima semana uma viagem pela América Latina “para buscar apoio e obter as condições para eleições presidenciais justas, no marco da Constituição”. Quem pretende concorrer deve se candidatar pela Internet, e a apresentação dos aspirantes perante a Junta Nacional Eleitoral será nos dias 26 e 27 deste mês. A oposição havia apontado a possibilidade de apoiar um outsider. Tratava-se de Lorenzo Mendoza, proprietário da empresa Polar. Mas o empresário venezuelano comunicou a seus funcionários que descarta a possibilidade de concorrer, informa a agência Reuters.

Henry Ramos Allup, secretário-geral da Ação Democrática, considera que nenhum candidato oposicionista deveria concorrer sem o consenso dos demais partidos que fazem parte da MUD. “Ou vamos todos juntos, ou todos juntos dizemos que não há condições”, afirmou nesta semana. Henri Falcón, do partido oposicionista Avançada Progressista, dissidente do chavismo, apresentou, por sua vez, sua candidatura. “Não queremos apenas ser candidatos, eu quero ser presidente deste país com o consenso. Além disso, ser [presidente] em condições de eleições livres e transparentes”, disse o dirigente, que se inclinou em direção à negociação com o Governo.

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