Carnaval 2018

Beija-Flor, o grito de protesto campeão do Carnaval 2018 do Rio

Agremiação leva discurso político para a Sapucaí e troca o luxo pelos trapos e referências à violência. Paraíso do Tuiuti é vice-campeã com desfile também marcado pelo tom de protesto político

Detalhe do desfile do Beija-Flor na Sapucaí.
Detalhe do desfile do Beija-Flor na Sapucaí.Silvia Izquierdo / AP

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A Beija-Flor é a grande campeã do Carnaval do Rio em 2018, um ano marcado pelo tom político e de protestos nas ruas que chegou até ao Sambódromo. Neste ano, 13 escolas disputaram o título no Carnaval mais tradicional do Brasil. Durante toda a apuração, Mocidade, Salgueiro e Paraíso do Tuiuti se revezaram na liderança, mas foi a escola de Nilópolis, que apresentou o enredo Monstro é aquele que não sabe amar. Os filhos abandonados da pátria que os pari, que levou para casa seu décimo quatro título. Também com um desfile em tom de protesto e carregada de críticas ao Governo do presidente Michel Temer, a Paraíso do Tuiuti foi eleita vice-campeã, com o enredo Meu Deus, meu Deus, está extinta a escravidão?.

A Beija-Flor foi a última a passar pelo Sambódromo do Rio neste ano. Com um desfile denso, fez um paralelo entre o romance de Frankenstein (1818), de Mary Shelley, que completa 200 anos em 2018, com os problemas sociais do país. Não houve trégua para políticos e empresários. Saiu o luxo tradicional da escola para entrar muita representação crua da violência que assola o Rio, como a da cena em que crianças retiram colegas mortos de uma escola.

Patrono condenado e enredo que enalteceu ditadura

As críticas sociais e à corrupção levaram o escrutínio e os questionamentos ao próprio mundo do Carnaval - as escolas são historicamente ligadas à máfia que domina o jogo do bicho e as máquinas caça-níqueis, todos negócios ilegais no país. O patrono da campeã Beija-Flor, Anísio Abraão David, é um conhecido contraventor que recorre em liberdade de uma sentença de 48 anos de prisão por . Foi o filho dele, Gabriel David, que idealizou o desfile vencedor, segundo o jornal carioca Extra. Não é a única controvérsia recente da Beija-Flor: seu mais recente campeonato havia sido conquistado em 2015 com um enredo em homenagem à Guiné Equatorial com patrocínio do ditador Teodoro Obiang.

Nas redes sociais, o discurso político da Beija-Flor e da Tuiuti, especialmente desta última, repercutiu. Na tarde desta Quarta-Feira de Cinzas, a #TuiutiCampeãdoPovo virou um dos assuntos mais comentados do Twitter brasileiro, com adesão de políticos que fazem oposição ao Governo Temer. A escola, novata no grupo das principais do Rio, apresentou no Sambódromo crítica à reforma trabalhista e ao próprio Temer, representado como um vampiro.

As escolas rebaixadas para a série A do Carnaval do Rio em 2018 foram: Grande Rio e Império Serrano. 

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