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Bolsa de Nova York tem maior queda em pontos da história

Bolsa de São Paulo acompanha queda, com Ibovespa retrocedendo 2,59% e com alta do dólar

O que move o abalo de nervos é a expectativa de que o BC dos EUA acelere a alta de juros no país

Nova York / São Paulo

O índice Dow Jones, a principal referência dos mercados financeiros mundiais, fechou nesta segunda-feira com a maior queda em pontos de sua história: 1.175 pontos, o que levou embora 4,6% de seu valor. A volatilidade se apoderou com contundência de Wall Street até o índice a sofrer durante os últimos momentos da sessão uma queda de até 1.560 pontos, a maior perda já registrada. O índice acionário S&P 500 caiu 3% e a Nasdaq, a bolsa das tecnológicas, 2,5%. A Bolsa de São Paulo acompanhou a queda, com o índice Ibovespa retrocedendo 2,59% e com o real se depreciando 1,12% frente ao dólar. Nesta terça-feira (6), o Ibovespa Futuro abriu em queda de 0,42%.

Operadores de Bolsa em Wall Street.
Operadores de Bolsa em Wall Street. AP

O mercado de ações europeu também foi arrastado pela onda norte-americana. O principal índice da Bolsa de Valores de Madri, o Ibex-35, abriu nesta terça-feira com queda 3,3%, mas a medida que o dia avança o impacto da onda vem se atenuando. A bolsa francesa (CAC-40) abriu com queda de 1,76%, mesmo movimento seguido pela FTSE 100 de Londres (-1,9%) e pelo Dax-30 de Frankfurt (-2,1%). As bolsas da Ásia-Pacífico tiveram a pior performance desde a crise financeira de 2009, encerrando em forte queda esta terça-feira. O índice Nikkei de Tóquio, principal indicador da região, teve queda de 4,73%, mas as maiores perdas foram registradas em Hong Kong (-5%) e Taiwan (-4,95%).

Os solavancos já haviam começado na sexta-feira e, agora, se impõe o temor de que o Federal Reserve, o banco central norte-americano, suba suas taxas de juros de maneira mais acelerada do que o inicialmente esperado. A tensão da última semana é comparável à que se viveu no começo de 2016 ou quando o Reino Unido decidiu abandonar a União Europeia. Lembra especialmente a crise financeira.

Para muitos analistas, o ajuste era inevitável. Depois de anos em que a deflação levou os BCs pelo mundo a usar armas para combatê-la, agora os preços começam a dar sintomas de recuperação. A melhora dos salários na primeira economia do mundo, pela primeira vez desde a crise de 2008, somado ao impacto da reforma fiscal de Donald Trump levam os investidores a esperar uma alta de juros mais agressiva. Até o momento, Jerome Powell, que tomou posse no FED, não se pronunciou. Até o momento, o mercado só está precificando três altas dos juros neste ano, em alinhamento com as previsões da instituição.

A queda de Wall Street foi acompanhada pelas maiores companhias do mundo. O pânico afetou todos os setores. Não escaparam nem a petroleiras como a Exxon Mobile ou Chevron nem gigantes do consumo como a Coca-Cola, ou industriais como a Boeing. Atingiu até mesmo os grandes bancos, entre eles Goldman Sachs e JP Morgan.

Apesar da volatilidade extrema, os atores dos mercados asseguram que o sistema funcionou corretamente. A Casa Branca minimizou o movimento: disse que “os mercados flutuam a curto prazo” e insistiu que os pilares da economia são sólidos. É precisamente essa solidez que cria problemas agora para os investidores, porque pode elevar os riscos inflacionários e obrigar o FED a ir mais rápido.

Os mercados estão de certa maneira viciados no dinheiro barato injetado pelos BCs mundiais desde 2008. Vêm daí os flancos frágeis da economia mundial: a forte revalorização da maioria dos ativos e os altos níveis de endividamento. “No ano 2000, explodiu a bolha das ponto.com. Em 2007 ocorreu o mesmo com as hipotecas de alto risco. E agora nos encontramos em uma situação de bolha total que está distorcendo a economia”, alertou no ano passado, Nick Clay, gestor do BNY Mellon.

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