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Um ano após morte de Teori Zavascki, relatório parcial da PF descarta sabotagem

Morte do então relator da Lava Jato no STF foi alvo de especulação após seu filho cogitar atentado

Relatório sobre a morte de Teori Zavascki
Os destroços do avião no qual viajava o ministro do STF.

A morte do ministro do Supremo Tribunal Federal Teori Zavascki completa um ano no dia 19 deste mês, tempo o bastante para a Polícia Federal descartar que o avião magistrado tenha sido alvo de sabotagem. A aeronave, na qual viajavam outras cinco pessoas, caiu no mar próximo a Paraty, no Rio de Janeiro. À época, Zavascki era o relator dos inquéritos da Operação Lava Jato na corte, e, em suas mãos, estava a tarefa de homologar as delações premiadas de executivos e ex-diretores da empreiteira Odebrecht, tida como uma grande bomba relógio pairando sobre o meio político. Esse clima levantou sobre o tragédia uma névoa de suspeita — Francisco Zavascki, filho do ministro, chegou a dizer que seu pai podia ter sido assassinado para atrasar as investigações.

O delegado da PF responsável pelo caso, Rubens Maleiner, se encontrou nesta quarta-feira em Brasília com a presidenta do STF, ministra Cármen Lúcia, para apresentar um panorama do caso. Ele afirmou que, embora o inquérito ainda não esteja concluído, é possível afirmar que não houve nenhum “ato intencional” que provocou a queda do avião, um turboélice modelo Hawker Beechcraft que havia decolado do Campo de Marte, na zona norte de São Paulo. “A possibilidade de um ato intencional contra aquele voo foi bastante explorada, em diversos exames periciais, e nenhum elemento nesse sentido foi encontrado”, afirmou Maleiner. Não foram encontrados traços de explosivos ou produtos químicos que pudessem ter provocado a queda do avião. Exames toxicológicos realizados no corpo do piloto Osmar Rodrigues também descartaram que ele estivesse sob influência de drogas ou álcool.

O delegado, no entanto, disse que ainda falta a realização de algumas perícias para que seja possível tirar uma conclusão definitiva. “Existe um conjunto de fatores que podem ter levado àquele desfecho, que dizem respeito a condições meteorológicas, trajetórias e alturas desempenhadas pelo piloto naquela tentativa de aproximação para Paraty”, afirmou. Questionado se a principal tese é a de que houve falha humana por parte do piloto da aeronave, o delegado disse apenas que “essa é a linha principal”. No dia do acidente, chovia na região de Paraty, o que pode ter provocado a desorientação espacial do piloto.

De acordo com o jornal Folha de S.Paulo, a queda ocorreu quando o piloto se preparava para fazer uma nova tentativa de pouso, após haver arremetido. A possibilidade de falha mecânica também foi descartada, tendo em vista que nos áudios gravados pela caixa preta da aeronave não foram encontrados diálogos entre o piloto e a torre de controle reclamando de alguma avaria. Além da Polícia Federal, o Centro de Investigação e Prevenção de Acidentes da Aeronáutica (Cenipa) também investiga o caso.

Após a morte de Zavascki a ministra Cármen Lúcia homologou a delação da Odebrecht — que atingiu dezenas de políticos brasileiros. Desde então, a relatoria da operação no STF está nas mãos do ministro Edson Fachin.

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