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“Sabotagem não pode ser descartada, mas a probabilidade é muito baixa”

Gustavo Cunha Mello, analista de gerenciamento de risco, avalia as circunstâncias da queda da aeronave que matou o ministro do STF Teori Zavascki

María Martín
Um barco da Marinha no lugar da queda da aeronave, na costa de Paraty.
Um barco da Marinha no lugar da queda da aeronave, na costa de Paraty.BRUNO KELLY (REUTERS)
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O acidente de avião que tirou a vida do ministro do STF, Teori Zavascki, e mais quatro pessoas em Paraty, a 250 quilômetros do Rio de Janeiro, desatou todo tipo de especulações sobre sua causas. A aeronave estava em ordem, e o piloto era muito experiente, mas as condições meteorológicas no momento da queda eram complicadas: chovia e havia pouca visibilidade. Testemunhas viram a aeronave fazer uma curva muito acentuada perto da pista de aterrissagem, enquanto outros acreditaram ver fumaça. Gustavo Cunha Mello (Rio de Janeiro, 1968), economista com MBA em gerenciamento de riscos e que focou parte da sua carreira na análise de acidentes aéreos que aconteceram por todo o Brasil, avalia as informações que se sabem até agora sobre o acidente. Mello, que pericia os aviões acidentados para as seguradoras, não acredita na possibilidade de sabotagem, mas alerta que ela, tampouco, pode ser descartada.

Pergunta. Com os detalhes conhecidos até agora sobre a queda qual é sua impressão sobre o acidente? Fala-se em sabotagem.

Resposta. No momento atual da investigação precisamos aguardar para descartar hipóteses. As histórias da conspiração são sedutoras em acidentes como este, é natural que existam essas teorias, sobretudo quando se trata de uma pessoa como o ministro responsável por uma investigação tão importante para o Brasil. Essa teoria não pode ser descartada, mas a probabilidade é muito baixa.

P. Por quê?

R. Primeiro porque o aeroporto de Campo de Marte, de onde partiu o avião, é muito seguro. Segundo porque Aeronáutica do Brasil é muito séria e competente. Qualquer intervenção na aeronave é rastreável, pode se saber quem alterou ou colocou qualquer parafuso do avião. Se a investigação descobrir uma sabotagem seria fácil identificar quando e por quem foi feita. É improvável que isso aconteça.

Gustavo Cunha Mello
Gustavo Cunha MelloArquivo pessoal

P. O que você acha que aconteceu antes da queda?

R. O avião era super seguro e moderno, porém o aeroporto de Paraty não é. É um aeroporto de cidade pequena, de cidade de veraneio, que as pessoas usam para as sua férias, não é de grande utilização. O aeroporto não tem estrutura de radar e de antenas para voos de aviões com instrumentos como era o caso. O piloto, então, foi obrigado repentinamente a abortar a aterrissagem no aeroporto pela falta de visibilidade e procurar um aeroporto alternativo. O piloto não tinha copiloto, uma figura não obrigatória em voos privados, mas sim recomendável. Nessas circunstâncias meteorológicas o piloto, que era muito experiente, teve uma sobrecarga de trabalho incrível.

P. O que lhe sugerem os relatos das testemunhas do acidente?

R. Houve uma série de relatos de testemunhas dizendo que o avião fez uma curva muito acentuada. Se você olha as imagens divulgadas da aeronave a ponta da asa está retorcida, o que sugere que ela pode ter tocado o mar quando fez a curva e ter pilonado, termo usado na aeronáutica para capotagem. Outra hipótese é que com uma curva muita acentuada a aeronave possa ter estolado, que é quando o avião perde sustentação, a velocidade dele não sustenta o peso e ele cai como uma pedra.

P. Há testemunhas que dizem ter visto fumaça.

R. Para um leigo a fumaça pode ser facilmente confundida com o arrasto da asa numa nuvem de chuva. Ainda que tivesse fumaça no motor ele tem outro motor que poderia funcionar perfeitamente. Não acho que tenha sido o caso, acredito que foi mais uma ilusão visual da testemunha.

P. A região do acidente já foi conhecida como o “Triângulo das Bermudas”. Se é tão óbvio que é uma zona perigosa e que os aeroportos não são apropriados, porque continuam acontecendo tantos acidentes ali?

R. A região é perigosa porque o tempo fecha rapidamente, tem montanhas, e chuvas muito fortes principalmente no verão. Como tem praias lindíssimas, há uma demanda muito alta e tem um tráfego aéreo muito intenso. O problema é que a Aeronáutica faz o trabalho de treinar e advertir, mas eventualmente os acidentes continuam acontecendo.

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