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Vaticano investiga organização católica peruana por suspeita de pedofilia

Cúpula do Sodalício de Vida Cristã foi denunciada por abusos

Pedofilia na Igreja Católica
O papa Francisco recebe diplomatas para os cumprimentos de ano novo, em 8 de janeiro. EFE

Oito dias antes da visita do papa Francisco ao Peru, o Vaticano nomeou um representante para intervir no Sodalício de Vida Cristã, uma entidade de vida apostólica fundada em 1971, em Lima, por Fernando Figari. O Ministério Público do Peru pediu em dezembro nove meses de prisão preventiva para Figari por crimes de formação de quadrilha, sequestro qualificado e lesões corporais e psicológicas.

Figari dirigiu a organização peruana até 2010. A partir daquele ano, começou a viver entre a Itália e o Peru, mas não volta ao seu país desde 2015. Instalou-se definitivamente em uma casa de repouso dos confrades em Roma desde que se intensificaram as denúncias contra ele e outros dirigentes da organização por abusos sexuais e intimidações psicológicas. Seu caso é similar ao do mexicano Marcial Masiel e do chileno Fernando Karadima.

Os outros denunciados pela promotoria peruana são Virgilio Levaggi, Jeffery Daniels, Daniel Murguía, Ricardo Treneman e Óscar Tokumura. Para Figari, Levaggi, Daniels e Murguía, as autoridades pediram a prisão preventiva devido ao risco de fuga e obstrução da Justiça, uma vez que os indiciados estão fora do país e não se apresentaram após receberem intimações.

Em junho de 2017, algumas das supostas vítimas dos líderes do Sodalício pediram uma audiência ao papa Francisco para que ele ouvisse seus relatos. O pontífice chega ao Peru na noite desta próxima quinta-feira, dia 18, e permanecerá no país até o domingo seguinte. Desde a visita de João Paulo II, em 1989, nenhum Papa voltou a pisar no país.

Um boletim do Vaticano anunciou nesta quarta-feira que “a Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica promulgou o decreto em que institui um comissariado para a sociedade de vida apostólica Sodalitium Christianae Vitae [Sodalício de Vida Cristã]” e nomeia Antonio Londoño, bispo de Jericó (Antioquia, Colômbia), como comissário apostólico da entidade.

O Papa “tem acompanhado com preocupação todas as informações que há vários anos chegam à Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica sobre a situação do Sodalício de Vida Cristã”, acrescenta o comunicado.

“Notável gravidade”

O Vaticano disse também que o Papa “se mostrou especialmente atento a notável gravidade das informações sobre o regime interno, a formação e a gestão econômico-financeira, motivo pelo qual pediu com insistência uma particular atenção ao Dicastério [um órgão da Cúria romana]”.

O boletim da Santa Sé acrescenta que essas informações “se somaram ultimamente às graves medidas adotadas pela autoridade judicial peruana” com relação a Figari. Em dezembro, o Ministério Público denunciou penalmente o ex-líder do Sodalício por formação de quadrilha, sequestro qualificado e lesões físicas e psicológicas supostamente cometidas contra menores de idade e jovens entre as décadas de 1970 e 2000. Além disso, o Dicastério para a Vida Consagrada nomeou o cardeal norte-americano Joseph Tobin como comissário para as questões econômicas do Sodalício.

Em novembro de 2016, vítimas do Sodalício e seus familiares apresentaram uma denúncia, mas em janeiro de 2017 a Sexta Promotoria Penal de Lima arquivou a investigação, alegando que os crimes estavam prescritos.

No mês passado, a 18ª Promotoria Penal retificou essa primeira decisão, indicando que os crimes de formação de quadrilha e lesão não estavam prescritos. O Sodalício administra dois colégios privados em Lima e uma universidade em Arequipa.

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