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Seul propõe à Coreia do Norte manter um diálogo de “alto nível” em 9 de janeiro

Coreia do Sul quer falar com o regime sobre a participação de uma delegação desse país nos Jogos Olímpicos de Inverno de PyeongChang

Cho Myoung-gyon, ministro da Unificação da Coreia do Sul, na terça-feira
Cho Myoung-gyon, ministro da Unificação da Coreia do Sul, na terça-feira AFP

Seul aceitou o desafio lançado pelo líder norte-coreano, Kim Jong-un, em seu discurso de Ano Novo. O Ministério da Unificação da Coreia do Sul propôs um diálogo de “alto nível” entre os dois países para falar da possível participação de uma delegação do fechado país nos Jogos Olímpicos de Inverno que serão realizados em fevereiro em território sul-coreano. Se Pyongyang aceitar, o diálogo ocorrerá na terça-feira, dia 9, na aldeia de Panmunjom, localizada na zona desmilitarizada que separa as duas nações.

A Coreia do Sul demorou somente 24 horas para indicar data e local à oferta de Kim Jong-un, que se mostrou disposto a realizar conversas para enviar seus atletas de elite ao evento olímpico, que ocorrerá na cidade de Pyeong Chang entre 9 e 25 de fevereiro. O ministro da Unificação sul-coreano, Cho Myoung-gyon, afirmou que a vontade do Executivo é “manter diálogos com o Norte em qualquer momento, lugar e formato”, de acordo com a agência Yonhap.

O ministro afirmou que as conversas terão como tema a participação olímpica, mas se mostrou otimista em que esse diálogo possa tornar mais fácil o caminho rumo a um paulatino degelo entre os dois países. “Acreditamos que os canais de comunicação intercoreanos suspensos deveriam ser restaurados imediatamente”, disse Cho. As duas Coreias, afirmou, devem agora negociar a agenda do encontro e a composição das delegações.

Se a proposta der resultados, seria a primeira vez em mais de dois anos que representantes dos dois países se reúnem. Seul propôs em julho uma rodada de conversas militares e uma reunião de familiares separados pela Guerra da Coreia (1950-1953), mas Pyongyang nunca respondeu oficialmente à oferta. Em uma breve troca de palavras entre os ministros das Relações Exteriores do Norte e do Sul durante um encontro militar posterior, Pyongyang alegou que as propostas de diálogo de Seul “não eram sinceras”.

Horas antes da oferta de Seul ser formalizada, o presidente sul-coreano, Moon Jae-in, pediu “medidas rápidas” que permitissem ao país vizinho participar do evento esportivo. “Considero que os comentários de Kim Jong-un (...) são uma resposta à nossa proposta de fazer das Olimpíadas de Inverno uma oportunidade pioneira para melhorar as relações Sul-Norte e estabelecer a paz”, disse Moon.

O presidente sul-coreano chegou ao poder com a aposta pessoal de abrir o diálogo com o regime de Kim Jong-un e deixar para trás a política de pulso firme feita por seus predecessores imediatos. Seu objetivo foi o de abordar o problema norte-coreano com uma combinação de pressão econômica – baseada nas sanções – e a abertura de canais de diálogo bilateral. Mas até agora a Coreia do Norte não só nunca demonstrou sua vontade de realizar conversas com a nova administração sul-coreana, como aumentou sensivelmente seus testes de armas. Moon viu como sua estratégia causava dúvidas até mesmo dentro de seu gabinete, que lhe pediu para priorizar a dissuasão militar.

Apesar do otimismo, o presidente sul-coreano lembrou na terça-feira que a melhora das relações entre as duas Coreias está estreitamente ligada ao futuro do programa nuclear norte-coreano e que seu Governo continuará coordenando-se com os países aliados. Kim Jong-un, apesar de ter demonstrado sua vontade de dialogar sobre os Jogos Olímpicos, não cedeu um milímetro nessa questão: fez um pedido à produção “maciça” de ogivas nucleares e mísseis balísticos e alertou os Estados Unidos de que está em condições de apertar o botão nuclear se seu país for ameaçado.

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