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‘Hackers’ norte-coreanos roubam da Coreia do Sul os planos de uma eventual guerra

Os documentos incluem os detalhes de um plano para assassinar Kim Jong-un, segundo um parlamentar sul-coreano

Foto do líder norte-coreano, Kim Jong Un, com sua irmã Kim Yo Jong, datada de 2015.
Foto do líder norte-coreano, Kim Jong Un, com sua irmã Kim Yo Jong, datada de 2015. AP

Os piratas informáticos da Coreia do Norte, aos quais foram atribuídas operações bem diversas, como o ataque WannaCry, que sequestrou 300.000 computadores em 170 países em maio, ou o hackeamento da multinacional Sony em 2014, atacaram de novo. E conseguiram um valioso botim: centenas de documentos secretos do Ministério da Defesa da Coreia do Sul, incluindo um plano para assassinar o líder supremo do Norte, Kim Jong-un, e detalhes de projetos de operações conjuntas com os Estados Unidos, o grande aliado militar de Seul, em caso de guerra com Pyongyang.

Foi o que comentou o parlamentar Rhee Cheol-hee, do Partido Democrata no Governo sul-coreano, citado pelo jornal Chosun Ilbo. De acordo com Rhee, membro da comissão de defesa do Parlamento sul-coreano, os hackers conseguiram se apossar de 239 gigas de informação durante sua incursão nos computadores militares do Centro de Dados Integrados da Defesa, ocorrida em setembro do ano pasado.

Rhee afirma ter recebido a informação sobre o roubo do Ministério da Defesa, depois de pedi-la, respaldado na lei nacional de Liberdade de Informação. O ministério se negou a fazer declarações sobre o assunto. Segundo o parlamentar, os documentos hackeados incluem alguns tão importantes como o OPLAN 5015, o plano de guerra mais recente feito por Washington e Seul. Também o OPLAN 3100, um guia em caso de ser detectada infiltração procedente do Norte.

Os piratas também obtiveram dados sobre instalações estratégicas sul-coreanas, incluindo instalações militares e algumas das principais usinas elétricas, bem como informações sobre o pessoal militar e detalhes das manobras conjuntas dos dois aliados.

Mas as dimensões da incursão são tão grandes que, conforme denunciou, não foi possível identificar exatamente a natureza de 80% dos dados aos quais os hackers tiveram acesso.

Em maio deste ano, a Coreia do Sul reconheceu ter sido vítima de um ataque cibernético e responsabilizou o vizinho do Norte, embora nunca tenha confirmado a amplitude da operação nem os dados afetados.

A denúncia chega em plena escalada da tensão entre a Coreia do Norte e os Estados Unidos, em meio a contínuas ameaças, veladas ou diretas, do presidente Donald Trump de optar pela via militar para pôr fim ao programa de armamento nuclear de Pyongyang. No fim de semana, em um tuíte, o inquilino da Casa Branca, opinou que “só há uma coisa que funcionará” para lidar com a Coreia do Norte, sem dar mais detalhes. Apenas uns dias antes, em uma reunião com comandantes militares, tinha declarado que se trata da “calma antes da tempestade”, sem querer tampouco esclarecer a que se referia exatamente.

Segundo o Governo sul-coreano, a Coreia do Norte conta com uma unidade especializada de 6.800 peritos em ataques informáticos, algo que o governo norte-coreano nega taxativamente.

A Coreia do Sul, segundo sua agência de noticias Yonhap, foi alvo de vários ciberataques norte-coreanos nos últimos anos. Muitos deles tinham como objetivo o acesso a entidades e dados de sites oficiais.

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