Simpatizante nazista perde o emprego depois de expressar suas ideias ao ‘The New York Times’

Tony Hovater pertence a um movimento de ultradireita e considera que o número de vítimas do Holocausto é exagerado

Membros de um grupo de supremacia branca este verão durante os distúrbios em Charlottesville.
Membros de um grupo de supremacia branca este verão durante os distúrbios em Charlottesville.Joshua Roberts (REUTERS)

Mais informações

Tony Hovater se autodefine como simpatizante nazista. É organizador de um movimento de suprematistas brancos, mas leva uma vida discreta e rotineira. Recém-casado, com 29 anos, vive com a esposa em uma pequena cidade de Ohio, onde até quinta-feira, dia 30 de novembro, trabalhava em um restaurante local. Há algumas semanas, compartilhou suas ideias com o jornal The New York Times: a rejeição à democracia, a admiração pela suástica e a crença na diferença entre as raças, com a defesa da sua, a branca. Depois de uma enxurrada de críticas ao artigo por tentar normalizar o extremista, Hovater e sua mulher foram demitidos de seus trabalhos e se mudaram da pequena localidade de New Carlisle por questões de segurança.

Hovater sabe fazer macarrão e tem quatro gatos. É fã de heavy metal. Em suas estantes, os livros sobre Adolf Hitler e Benito Mussolini dividem espaço com videogames Nintendo Wii. É, segundo tentava transmitir no polêmico texto ao Times, “o simpatizante nazista da casa ao lado, educado e tranquilo”. Mas muitos leitores rejeitaram com dureza o artigo, acusando o jornal de tentar procurar normalizar quem acredita na criação de um Estado étnico dirigido pela raça branca. Que Hovater não seja um agitador violento como os que assassinaram uma jovem no verão passado em Charlottesville não o torna um “nazi melhor”, sugeriram muitos críticos nas redes.

“Acho que ele realmente acreditava em sua causa”, afirmou sobre Hitler. “Os números do Holocausto (seis milhões de judeus exterminados) são um exagero”, afirmou o radical Hovater.

O responsável pelo restaurante 571 Grill and Draft House, onde trabalhava o casal e o cunhado de Hovater, confirmou nesta quinta-feira que demitiu os três depois de receber telefonemas e mensagens de clientes irritados, consternados com a informação sobre Hovater, um dos cozinheiros em meio período. Em um comunicado, os donos do local expressaram seu descontentamento com o ocorrido: “Apesar de gostarmos de receber atenção da imprensa nacional por nosso hambúrguer, é com o coração triste que refletiremos sobre esse assunto político separatista que maculou nosso pequeno negócio”.

O artigo não tinha identificado o restaurante onde trabalhava e o próprio Hovater afirmou que sua profissão era soldador. Mas a repercussão do texto levou muitos a encontrar. Segundo o mesmo jornal, o casal tinha recebido 6.000 dólares em doações de um site de ultradireita.

Quando não estava no trabalho, Hovater atuava como organizador do Partido Tradicional dos Trabalhadores, um movimento pertencente à extrema direita, cuja presença no tecido social está aumentando, empoderada por um presidente que com frequência faz comentários xenófobos e alimenta uma retórica separatista. O grupo político define sua missão como “a luta pelos interesses dos Americanos Brancos, um grupo abandonado pelo Sistema e ativamente atacado pelos globalistas”.